Cultura
Festa de Nossa Senhora do Carmo começa no Recife
Cultura
A partir desta segunda-feira, a comunidade católica de Pernambuco inicia a celebração de uma das festas religiosas mais tradicionais do país, a Festa de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira do Recife.

Esta é a edição de número 330 do festejo, que é coordenado pela Basílica do Carmo, localizada na capital pernambucana. A missa solene e o tradicional hasteamento da bandeira de Nossa Senhora do Carmo no Pátio do templo marcou o início da programação que seguirá até o dia 16 de julho. Na parte da tarde, será celebrada a missa festiva comemorando os 350 anos da arquidiocese de Recife e Olinda.
Nos próximos 11 dias serão celebradas mais de 100 missas, além de novenas, celebrações especiais e apresentações religiosas e musicais. Os eventos religiosos serão realizados na Basílica e também no Claustro do Convento. Já a programação cultural acontecerá diariamente, sempre a partir das sete e meia da noite, no palco montado no Pátio do Carmo. Entre as atrações estão Lilli Trindade, Petrúcio Amorim, as bandas Santroppê, Flor de Mel e Los Cubanos, além dos Padres João Carlos, Neto Feitosa e do Frei Damião Silva.
No dia da Padroeira, 16 de julho, a expectativa é que 300 mil fiéis passem pela região da Basílica ao longo do dia. A programação será aberta às quatro da manhã e encerrada às quatro e meia da tarde, com a Missa Solene Campal, seguida da Procissão pelas ruas do Recife Antigo.
Várias celebrações e momentos religiosos serão transmitidos através do canal da Basílica do Carmo no YouTube @tvcarmelo. A programação dia a dia da Festa de Nossa Senhora do Carmo já está disponível no Instagram @basilicadocarmorecife.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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