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Exposição em Marselha marca ano do Brasil na França

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Em mais uma ação da temporada “Brasil na França 2025”, que acontece até dezembro, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira da Bahia vai levar para terras francesas um pouco da identidade artística nacional.

Começa hoje na cidade francesa de Marselha, no “Parcs et Jardins de la Maison Blanche” , a exposição itinerante ‘Raízes: Começo, meio e começo‘, que vai expor obras inéditas de 18 artistas afro-brasileiros. Pinturas, esculturas, instalações, fotografias e performances darão visibilidade à potência da cultura afro feita aqui no país, carregada de memórias, estéticas e histórias.

Segundo a curadoria, o tema da exposição é inspirado no pensamento do filósofo Nego Bispo. O escritor, líder quilombola e ativista político piauiense, defendia que “somos começo, meio e começo”. Nesse sentido, a mostra traz artistas de várias gerações, que abraçam a circularidade como princípio estético e conceitual para narrar em suas obras o tempo, a memória e o futuro, fugindo da forma linear ocidental. 

A exposição ficará em cartaz até o dia 31 de outubro e vai apresentar aos turistas e franceses um recorte da produção artística negra contemporânea no Brasil, grande parte produzida em Salvador, considerada a cidade mais negra fora do continente africano.

O Ano do Brasil na França celebra os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países e tem o objetivo de fortalecer a cooperação cultural bilateral. A ação vai levar mais de 300 eventos para cerca de 50 cidades francesas. A programação inclui desde música e cinema até gastronomia, carnaval e artes visuais.


Fonte: EBC Cultura

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Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)

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DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si

anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda

  

Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.

Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento

“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”

A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.

Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.


Fonte: EBC Cultura

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