Cultura
Clube das Musas, de Fortaleza, realiza Sarau e Feira Literária
Cultura
Aberto ao público, gratuito e com microfone liberado. Estou falando do Sarau e Feira Literária, evento que acontece todo o semestre no Cantinho do Frango, espaço cultural e gastronômico de Fortaleza. A iniciativa é do Clube das Musas, encontro de escritoras que se realiza mensalmente no local.

É no Sarau e Feira Literária que proliferam livros de poesia, contos, romances e outras narrativas escritas e publicadas por mulheres que ocupam cada vez mais a cena cultural da cidade. A mediação e curadoria são da cantora, compositora e a escritora Mona Gadelha, que dá detalhes do Clube das Musas e do Sarau e Feira Literária.
“O Clube das Musas acontece toda primeira quinta-feira do mês, no Cantinho do Frango às 19 horas, como uma atividade gratuita, aberta a todas as pessoas interessadas em literatura, especialmente em literatura feminina no Ceará. E a cada seis meses o clube realiza um grande sarau, com a participação da maioria das escritoras que passaram pelo clube durante o semestre”.
E no Sarau estarão as escritoras do Clube das Musas para discorrer sobre suas obras com leitura junto com o público, noitada de autógrafos e conversas mediadas por Mona Gadelha, que fala sobre a programação do evento, que desta vez abre a temporada de férias na cidade.
“Neste 3 de julho, abrindo a temporada de férias, já que estamos no mês das férias, acontece o Sarau com participação de praticamente 20 escritoras confirmadas até agora, mas esse número pode crescer e também estamos de braços abertos para receber todas as pessoas que queiram participar desta atividade, lendo o seu poema, lendo sua crônica, trecho do seu ensaio, do seu romance. A ideia realmente é uma grande ação coletiva, celebrando a literatura feminina feita no nosso estado”.
O Sarau e Feira Literária, evento gratuito realizado pelo Clube das Musas, está marcado para esta quinta-feira às 19h, no Cantinho do Frango.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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