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Cacique indígena usa literatura para exaltar povos originários

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A literatura para muitos é entretenimento. Para o cacique Juvenal Payayá, escritor, romancista e poeta, ela é uma ferramenta de cura e reconhecimento. No país onde a história oficial por vezes tentou apagar a presença dos povos originários, a obra de uma das principais lideranças indígenas da Bahia surge como um grito de presença. Para ele, a escrita não é apenas estética: é um ato político de resistência, que auxilia os povos indígenas a recuperarem espaços que foram silenciados pela história:

“Eu acho a literatura a outra grande ferramenta que os povos indígenas colocaram realmente a mão e se apossaram dela. A literatura indígena no Brasil, ela é nova, talvez tenha 50 anos… foi em 1980 e pouco que saiu o primeiro livro, né, editado pela imprensa, né, o primeiro livro escrito por um indígena. Apesar de que lá bem atrás, lá bem no início dos tempos, tem dois ou três livros que não se conhece, mas sabe-se que algum indígena escreveu. Então, na verdade, a literatura, ela tem ajudado a gente não só a buscar documentos e incorporá-los na nossa visão, como aguçar o nosso pensamento para dizer: olha, nós existimos, nós estamos aqui e nós vamos contar a nossa própria história. Eu acho esse o ponto fundamental: nós contarmos a nossa própria história”, conta.

Diferente da tradição literária ocidental focada no indivíduo, a literatura indígena de Juvenal Payayá é coletiva, abordando temas como ancestralidade, educação indígena e resistência cultural. O cacique, que vive na região da Chapada Diamantina, faz da poesia um solo fértil para a preservação da identidade do seu povo. O escritor também defende que o uso da língua e das referências ancestrais ajudam a desconstruir a imagem estereotipada dos indígenas:

“E no meu poema, por exemplo, eu gosto muito de trazer isso. Eu gosto muito de trazer essas questões de dizer, por exemplo: olha, você tirou o meu direito de ser, você tirou meu direito de ter, certo? Você tirou o meu direito de reproduzir… me tiraram esse direito e tiraram o direito da minha fala. Então buscar reconstruir tudo isso e muito mais é a luta dos Payayá, é a luta do cacique, é a luta do pajé, é a luta daquele povo que ainda sonha com uma convivência harmônica. Então o povo indígena, até hoje, até o momento, graças a Deus, vem lutando. E no nosso discurso, que eu chamo a literatura indígena como discurso indígena… alguém vai ouvir isso e dizer: esse cara é louco… Não! Então, na nossa total consciência do que nós queremos, é que nos permitam viver, nos deixem viver da forma que a gente quer dentro do planeta Terra. Zelamos por ela e assim é a nossa marcha’.

‘Piedade, mãe, majestosa natureza / Suspendei o gume da tua gélida espada / Eis que já tremula minha alva bandeira / Implorando o fim dessa infame derrocada / Arrependei na tua tenebrosa vingança / Que vejo no vento, no vulcão fumegante / Puni-me, mas deixai um par de crianças / No pó do imprudente, regar a semente / Deixai viva na lagoa a suave neblina / O peixe no oceano, a cabra montês / A flor da orquídea, o índio terena / Fazei um novo mundo parecendo poesia / Sem armas, sem bolsa e sem valor / Mas com o valor da vida de quem a criou”, fala e declama.

Entre versos e militância, o líder do povo Payayá utiliza a escrita para demarcar territórios simbólicos e garantir que a memória indígena da Bahia não seja esquecida. Ao publicar suas obras, ele não apenas compartilha histórias, mas estabelece uma ferramenta de afirmação. Mas, apesar dos avanços, o cacique lamenta que ainda há muitos obstáculos para os escritores indígenas superarem:

“A dificuldade que você percebe da pessoa quando sabe que é um indígena que escreve, parece que ele imagina que eu estou escrevendo aqui apenas aquela história lá da minha avó, tá entendendo? E na verdade isso eu sinto. Eu não vou dizer que seja preconceito, eu ainda não notei isso, mas noto na verdade uma certa indiferença, isso que eu diria quanto à literatura indígena. Eu acho que, de forma geral, os escritores indígenas estão avançando muito. Tem alguns escritores que a gente tira o chapéu. Alguns estão realmente acontecendo, mas não é a maioria, não. E esses que não acontecem, quase todos eu li, né? Lamento por quem não está lendo. É uma literatura muito, digamos assim, esclarecedora. Mas a gente está aí, lutando para que nosso livro chegue, na verdade, à imprensa, chegue até aqui para que a gente possa dizer o que tem no nosso livro, o que é que eu escrevi, sobre o quê, qual é o objetivo dele e tudo, né? E esperar que alguns alunos, que as pessoas leiam em geral”, completa.


Fonte: EBC Cultura

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O Agente Secreto faz 1 ano de estreia com recorde de prêmios

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Nesta terça-feira (19), faz um ano que o filme brasileiro “O Agente Secreto”, do diretor pernambucano, Kleber Mendonça Filho, estreou mundialmente no Festival de Cinema de Cannes, na França.

E a trajetória do longa celebra um marco histórico: o longa se tornou a produção brasileira com o maior número de prêmios internacionais da história. Até agora, são 99 conquistas acumuladas.

As primeiras premiações em terras estrangeiras aconteceram, inclusive, em Cannes, onde o filme conquistou quatro prêmios. Entre eles, os de melhor diretor para Kléber e de melhor ator para o protagonista, Wagner Moura.

Depois disso, o longa colecionou vitórias em festivais e premiações da crítica especializada em cidades como Nova York, Chicago, Lima, Zurique e Málaga. Entre os reconhecimentos mais importantes estão o Golden Globe Awards de melhor ator em filme de drama para Wagner Moura e o prêmio de melhor filme em língua não inglesa.

As conquistas mais recentes vieram agora em maio, durante a 13ª do Prêmio Platino, realizado no México. O “Agente Secreto” levou oito troféus, entre eles os de melhor filme ibero-americano, melhor ator, melhor diretor e melhor roteiro.

O Platino é considerado a principal premiação do cinema, da televisão e do streaming da comunidade ibero-americana, reunindo produções da América Latina, Espanha e Portugal.

Sessões comemorativas em 35 mm

Para celebrar a marca histórica e o aniversário de um ano da estreia mundial, a distribuidora do filme no Brasil vai promover exibições especiais em cópias de 35 milímetros nos cinemas brasileiros.

As primeiras cidades a receber as sessões serão São Paulo, no Espaço Petrobrás de Cinema; e Fortaleza, no Cinema do Dragão. Na capital paulista, as sessões diárias seguem até esta quarta-feira, sempre às 20h30; na capital cearense, haverá uma única sessão no sábado, às 16h.

“O Agente Secreto” já ultrapassou a marca de 2,5 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros e também está disponível no streaming.


Fonte: EBC Cultura

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