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Bumba meu boi segue ditando o ritmo dos arraiais julinos do Maranhão

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Há muitos anos a temporada junina envolvendo as centenas de grupos de bumba meu boi do Maranhão, em vários arraiais, continua em julho. Em São Luís, o arraial Vamos Festejar é um dos que prometem movimentar os fins de semana de moradores e turistas. O local escolhido para a festa é o histórico Convento das Mercês, que fica no centro histórico da cidade patrimônio da Unesco.

A abertura acontece nesta quinta-feira (9), a partir das 18h, com apresentações do Tambor Catarina Mina, a Banda do Bom Menino e os bumba bois Fé em Deus, Nina Rodrigues, Maracanã, além da Companhia Barrica.

Ao longo deste primeiro fim de semana de Vamos Festejar ainda se apresentarão outros 20 grupos de bumba meu boi, entre eles, o Boi de Cururupu, de Apolônio, de Axixá, Maioba, Morros, de Leonardo, Touro Negro Encantado, Pindaré e Brilho da Ilha, celebrando todos os sotaques da brincadeira – como são chamados os ritmos do boi maranhense. 

Serão 12 dias de evento até o fim de julho, sempre de quinta a domingo, reunindo além grupos tradicionais de bumba meu boi, outras manifestações da cultura popular maranhense – como tambor de crioula, cacuriá, dança do lelê, coco, quadrilhas juninas e danças portuguesa, atividades para crianças e espaços voltados a inclusão, como o Espaço Girassol, uma área planejada exclusivamente para acolher crianças neurodivergentes.

O público poderá conferir ainda a exposição “Bordados de Fé e Memória”, composta por dez couros do Boi de Pindaré.

A programação com as atrações dos próximos fins de semana ainda não foi divulgada.


Fonte: EBC Cultura

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Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)

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DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si

anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda

  

Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.

Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento

“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”

A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.

Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.


Fonte: EBC Cultura

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