Cultura
Batatinha é homenageado com série de shows e palestras
Cultura
O poeta do samba Batatinha é homenageado com uma série de shows e palestras gratuitas nas cinco cidades onde viveu e continua inspirando gerações. Antes de se consagrar como um dos maiores nomes do samba, Oscar da Penha foi aprendiz de sapateiro e contínuo da Imprensa Oficial da Bahia, mas foi na música que encontrou voz e missão. Autor de 116 canções, foi gravado por artistas como Gal Costa, Maria Bethânia, Bete Carvalho e Caetano Veloso.

A programação é realizada pela Fundação Cultural do Estado e tem à frente o espetáculo Batatinha 100 Anos de Samba e Poesia, idealizado e interpretado pelo cantor e ator Dodô Só. Um compositor que soube transformar o cotidiano em poesia, silêncio e melodia.
Suas canções têm uma pegada que ele acabou transformando no blues baiano, um samba que, além de doce, é melancólico, está cheio de elegância. A cada apresentação, um artista convidado do universo do samba sobe ao palco e o público também participa de uma palestra com Artur da Penha, filho do compositor, compartilhando memórias afetivas e histórias do artista.
A diretora de artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), Gabriela Sandiego, destaca a dimensão simbólica e pedagógica do projeto. Queremos é estimular que essa geração conheça esse artista, conheça o seu legado e valorize também, além de se conectarem com esse expoente da música. A temporada começa nesta sexta-feira em Salvador com Juliana Ribeiro, na Praça Quincas Berro d’Água, no Pelourinho, às 8 horas da noite.
Todas as apresentações são gratuitas e a programação completa está disponível no site ba.gov.br/cultura.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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