Cultura
BA: Romaria e Carnaval são reconhecidos como manifestações culturais
Cultura
A Bahia tem, oficialmente, mais duas tradições populares reconhecidas como Manifestação da Cultura Nacional pelo governo federal. São elas: o Carnaval de Salvador e a Romaria do Senhor Bom Jesus da Lapa.

O reconhecimento reforça o texto da Constituição Federal que assegura a proteção e a promoção dessas manifestações por meio de políticas públicas e leis específicas. O reconhecimento legal garante maior visibilidade, proteção e valorização dessas tradições.
De acordo com o Ministério do Turismo, o Carnaval de Salvador, uma das maiores festas populares do mundo, representa a identidade de diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
A partir dessa lei, a festa ganha um selo que a consagra em todo o país, prestando homenagem à capital baiana e à toda cadeia produtiva.
Já a Romaria do Senhor Bom Jesus da Lapa, considerada a terceira maior do país, é realizada todos os anos entre os dias 28 de julho e 6 de agosto e reúne cerca de 600 mil fiéis e turistas na cidade do interior baiano.
A romaria é uma das manifestações religiosas mais antigas da história do Brasil. Segundo a tradição, o monge Francisco de Mendonça Mar descobriu uma gruta no sertão baiano onde fixou uma imagem do Bom Jesus, transformando-a num santuário.
Manifestações culturais já reconhecidas
Em relação ao carnaval, já são reconhecidos como Manifestação da Cultura Nacional, os Blocos e Bandas de Rua, o Carnaval de Pernambuco, as Escolas de Samba do Rio de Janeiro, dentre outras.
Já em relação a religiosidade brasileira, estão entre as manifestações culturais reconhecidas o Círio de Nazaré, que acontece em Belém e a Caminhada com Maria, que ocorre em Fortaleza, Ceará.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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