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2º edição da Festa do Beiradão ocorre em Manaus nesta sexta-feira (3)

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Música, memória e valorização da identidade cultural do Amazonas. É assim que o amazonense vai comemorar hoje (3) o Dia do Beiradão. A data criada por lei estadual terá uma segunda edição realizada no Largo de São Sebastião em Manaus a partir das 18h com extensa programação. Trata-se de um reconhecimento e fortalecimento do gênero musical que representa o coração ribeirinho do Amazonas.

E afinal, o que é o Beiradão? Na década de 1970, nas cidades localizadas às margens dos rios amazônicos, as comunidades e músicos se reuniam para promover festas. Ao longo do tempo, esses eventos foram ficando conhecidos e receberam o nome de Beiradão, que se transformou em uma marca cultural do Estado. Caracterizado pelo som marcante do saxofone e da guitarra elétrica, o Beiradão incorporou referências de diferentes gêneros, latino-americano e caribenhos, como salsa, cumbia, merengue, calipso e até mesmo a lambada, criando uma sonoridade única.

Nos anos 1980, o estilo alcançou o seu ponto mais alto de popularidade, consolidando-se como um dos símbolos da música produzida no Amazonas. Mais do que um gênero, o Beiradão se tornou expressão de identidade, memória coletiva e resistência cultural, representando as festas, a alegria e a diversidade do povo amazônico.

Hoje a festa do Beiradão vai contar com um diverso elenco artístico reunindo nomes que vão da velha guarda até novos talentos da música regional. A primeira edição em 2024 já havia reunido centenas de pessoas em uma celebração histórica do gênero.

Agora oficializado por lei o dia do Beiradão reafirma o compromisso com a cultura local e da visibilidade a um estilo que é reconhecido como patrimônio cultural e imaterial do Amazonas desde 2023 que reflete a alma musical ribeirinha.


Fonte: EBC Cultura

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Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)

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DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si

anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda

  

Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.

Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento

“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”

A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.

Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.


Fonte: EBC Cultura

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