Várzea Grande
Prefeitura entrega novas cadeiras odontológicas e amplia atendimento nas USFs
Várzea Grande
Por meio de conhecimento técnico e articulação, Várzea Grande está cadastrada junto ao Ministério e poderá ofertar e ampliar os serviços, marcando um momento histórico nesse cuidado com a população
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da Coordenadoria de Saúde Bucal, entregou na manhã dessa terça-feira, 22, duas novas cadeiras odontológicas para reforçar os atendimentos nas Unidades de Saúde da Família, a ‘Vereador João Avelino Bulhões’, no bairro São Mateus, e ‘Aurília Salles Curvo”, no Jardim União.
A ação faz parte do plano estratégico de ampliação e modernização dos serviços de saúde bucal no Município, com foco na descentralização e no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde. Com essa entrega, Várzea Grande passa a contar com 10 cadeiras odontológicas em pleno funcionamento, sendo que outras seis estão previstas para instalação em breve. A oferta do serviço toma dimensão inédita no SUS várzea-grandense.
A prefeita Flávia Moretti (PL) lembrou que, em apenas seis meses de gestão, foi possível cadastrar junto ao Ministério da Saúde as unidades que já tinham consultórios odontológicos, mas que até então não estavam credenciadas. “Elas não computavam recursos para o Município. Hoje, conseguimos entregar duas cadeiras odontológicas devidamente registradas, funcionando 100% legalizadas. É uma conquista da gestão, de toda equipe da saúde e da população”.
Moretti destaca ainda, que devido à falta de credenciamento no Ministério da Saúde, no passado, o Município perdeu o Odontomóvel, mas, que já está buscando, junto ao órgão federal, a recuperação do serviço móvel. A prefeita informa que “até o fim do ano, todas as USFs estarão com consultórios odontológicos em funcionamento”, disse a gestora.
As duas novas cadeiras foram adquiridas com recurso de emenda parlamentar do deputado estadual Fábio Tardin (PL), no valor de R$ 300 mil, contemplando o chamado “gabinete odontológico”, com cadeira, materiais e autoclave. A secretária destacou ainda que o deputado federal Carlos Avallone (PSDB) já se comprometeu a destinar outras 10 cadeiras para reforçar o serviço odontológico em Várzea Grande.
Deisi frisa que essa é uma importante expansão do serviço bucal no Município. “A descentralização do atendimento odontológico fortalece o SUS e aproxima o cuidado da população. Antes, tudo estava concentrado no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO). Agora, seguimos o que o SUS preconiza: cada Unidade de Saúde deve contar com um consultório odontológico, habilitado junto ao Ministério da Saúde, o que também garante recursos, conforme o cadastramento dessas unidades”, explicou.
MÉRITO DA ATUAL GESTÃO – De acordo com o superintendente da Atenção Primária à Saúde, Márcio Frederico, a solicitação para ampliar e implantar consultórios odontológicos nas unidades de saúde foi uma das primeiras ações da atual gestão. “É um serviço que regionaliza o atendimento, promove mais agilidade e humanização. O paciente não precisa mais sair do seu bairro para ter acesso ao atendimento básico odontológico. E, quando necessário, será encaminhado, dentro da unidade que o está atendendo, ao CEO para procedimentos especializados”, explicou.
O gerente da unidade ‘Aurília Salles Curvo’, Carlos Costa, que também é morador da região, afirmou que a chegada do consultório odontológico representa uma conquista para o bairro. “Sentíamos a falta desse atendimento aqui. Agora, a população será diretamente beneficiada com um serviço essencial”, afirmou.
Já o vereador Alessandro Moreira (MDB), representante da região do Jardim União, também celebrou a instalação do consultório odontológico na unidade Aurília Salles Curvo. “Há quatro anos venho solicitando essa implantação. Em quatro meses, após uma conversa com a secretária Deisi Bocalon, conseguimos tornar isso realidade. Isso mostra o quanto a parceria entre o Legislativo e o Executivo pode beneficiar a população”, pontuou.
Morador do bairro São Mateus, o vereador Emerson Enfermeiro (PP), comemorou a conquista. “Foi uma luta de muitos anos para trazer esse consultório odontológico para a unidade. A comunidade do São Mateus é extensa e precisava desse serviço regionalizado. Agora conseguimos levar atendimento de qualidade para perto das pessoas”, destacou.
Para o motorista Gonçalo Santana, paciente da unidade do São Mateus, o serviço representa um avanço. “Antes, ou íamos para consultórios particulares ou precisávamos buscar atendimento em outras unidades mais distantes. Agora não vamos precisar sair do bairro para cuidar da saúde bucal”, disse.
O dentista Adilson Luiz, destacou a importância do atendimento para a prevenção desde a infância. “Sempre realizamos palestras nas escolas sobre escovação e higiene bucal, e já víamos muitas crianças com cáries. Agora, elas terão acesso ao tratamento diretamente aqui na unidade”, disse.
Além das novas unidades contempladas, os atendimentos odontológicos em Várzea Grande já ocorrem em diversas localidades, como Marajoara, Cristo Rei, Cohab Cristo Rei, Limpo Grande, Manaíra, 24 de Dezembro, Parque do Lago e Jardim Glória. As próximas unidades a serem contempladas são: Cabo Michel, Construmat, Maringá, 24 de Dezembro e Manaíra.
A iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal em oferecer um serviço humanizado, com qualidade e que valoriza a promoção da saúde bucal como parte essencial da saúde integral dos cidadãos várzea-grandenses.
Várzea Grande
Entre lágrimas, abraços e esperança: Histórias de quem dedica a vida ao cuidado da população
“Eu saí no quintal para chorar”. A frase simples, dita pela Agente Comunitária de Saúde, Francisca dos Santos Barata, carrega quase duas décadas de dedicação ao cuidado com o próximo. Aos 70 anos, Francisca revive na memória uma das cenas mais marcantes da sua trajetória: a visita a uma moradora encontrada debilitada, sozinha, desidratada e tomada por piolhos dentro da própria casa, na região do Capão Grande.
Agente Comunitária de Saúde da Unidade Maria José Pedrosa, do bairro Capão Grande, desde 2007, Francisca lembra que, ao ver a situação da paciente, sentiu o coração apertar. Voltou ao local junto com a enfermeira-chefe da unidade, e juntas, iniciaram um verdadeiro mutirão de cuidado humano. Deram banho na paciente, limparam a casa, providenciaram roupas e lençóis e passaram a acompanhá-la constantemente.
“Eu peguei roupa da minha casa para ajudar ela. A gente acompanhava, fazia visitas, conversava. Ela estava em depressão por problemas familiares”, relembra emocionada.
O cuidado contínuo mudou a vida da moradora, que conseguiu superar o quadro de abandono e reconstruir a própria história. Hoje vivendo no Rio Grande do Sul, ela mantém contato frequente com Francisca e costuma repetir uma frase que emociona a agente até hoje: “Se não fosse você, eu não estaria viva”.
Histórias como essas mostram que a rotina dos agentes vai muito além das visitas domiciliares. É um trabalho silencioso, diário e profundamente humano.
CATEGORIA VALORIZADA – No último dia 25, a Prefeitura realizou a posse de 48 Agentes de Combate às Endemias e de 86 Agentes Comunitários de Saúde. A efetivação dos profissionais foi possível após uma articulação inédita conduzida pela prefeita Flávia Moretti (PL), junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que autorizou a incorporação dos ACS e ACE ao regime estatutário, tornando Várzea Grande o primeiro município do estado a cumprir a Lei Federal nº 14.536/2023 e servindo de referência na valorização e reconhecimento desses profissionais.
Entre os profissionais empossados também estava Suzana Nádia Romão, Agente de Combate às Endemias que iniciou a carreira aos 19 anos e hoje soma 24 anos de atuação. “É um momento de vitória, inexplicável, sem palavras. Só quero agradecer”, disse emocionada durante a cerimônia.
Mas foi ao lembrar de uma história vivida há 16 anos que Suzana traduziu o tamanho do vínculo criado com a comunidade ao longo da profissão.
Ela conta que uma colega de trabalho havia sido vítima de feminicídio. A notícia se espalhou rapidamente e chegou até uma antiga área onde Suzana atuava. No horário de almoço, uma moradora apareceu desesperada na frente da casa dela, pedalando uma bicicleta.
“Ela gritava no meu portão. Quando eu apareci, ela jogou a bicicleta no chão e veio me abraçar com as mãos tremendo, geladas. Ela dizia: ‘Ô minha baixinha, não foi você? Achei que era você que aquele homem tinha matado’”, relembra.
Naquele instante, Suzana chorou junto com a moradora. “Ali eu tive a confirmação de que estava exercendo a profissão que Deus preparou para mim. Eu percebi que estava deixando um legado por onde passava, criando vínculos não só profissionais, mas humanos”, disse.
As histórias de Francisca e de Suzana representam a realidade de centenas de agentes que enfrentam sol, chuva, distância e dores sociais diariamente para garantir dignidade, prevenção e acolhimento à população.
Mais do que profissionais da saúde pública, eles se tornaram presença constante na vida de milhares de famílias — muitas vezes sendo o primeiro abraço, o primeiro cuidado e a primeira esperança dentro de uma casa que não é a deles.
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