Agricultura
Tecnologia biológica que poupa R$ 143 bilhões será debatida em Curitiba
Agricultura
Começa na quarta-feira da próxima semana (19.08), em Curitiba, no Paraná, a 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare). O evento discutirá o avanço dos bioinsumos, tecnologias que já permitem à soja brasileira economizar aproximadamente R$ 143 bilhões por safra com fertilizantes nitrogenados.
Promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPIIBio) e a CropLife Brasil, o encontro deverá reunir cerca de 200 pesquisadores, representantes da indústria, consultores, integrantes de universidades e órgãos de fiscalização.
Bioinsumos são produtos desenvolvidos a partir de organismos vivos ou de substâncias naturais. Entre eles estão os inoculantes, que contêm bactérias ou fungos capazes de melhorar o aproveitamento de nutrientes, estimular o desenvolvimento das plantas e auxiliar no controle de pragas e doenças.
O exemplo mais conhecido é a fixação biológica de nitrogênio na soja. A tecnologia utiliza bactérias que capturam o nitrogênio do ar e o disponibilizam para a planta, dispensando a aplicação de fertilizantes nitrogenados na cultura.
Segundo a Embrapa, aproximadamente 85% da área brasileira de soja recebe inoculantes a cada safra. Mesmo onde as bactérias já estão presentes no solo, a recomendação é repetir a aplicação anualmente.
A inoculação com bactérias do gênero Bradyrhizobium pode elevar a produtividade da soja em cerca de 8%. Quando combinada com outros microrganismos promotores do crescimento, o ganho pode chegar a 16%, dependendo das condições da lavoura.
Na última safra, a substituição dos fertilizantes nitrogenados pela fixação biológica proporcionou economia estimada em R$ 142,8 bilhões. A tecnologia também evitou a emissão de quase 280 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente, volume comparável às emissões anuais de aproximadamente 60 milhões de automóveis.
As pesquisas avançam para outras culturas. No milho, principalmente na segunda safra, já são comercializadas mais de 40 milhões de doses de inoculantes por ano. Os produtos não eliminam completamente a necessidade de adubação nitrogenada, mas podem aumentar o aproveitamento do nutriente e, em determinadas condições, permitir redução de até 25% na cobertura com nitrogênio.
Outro campo de estudo envolve microrganismos que ajudam as plantas a aproveitar o fósforo acumulado no solo. Parte desse nutriente permanece presa às partículas da terra e não pode ser absorvida pelas raízes. Os microrganismos mobilizadores de fosfato transformam parte desse estoque em formas acessíveis às culturas.
O controle biológico de pragas e doenças também estará na programação. A utilização de fungos, bactérias e outros agentes naturais amplia as opções de manejo e pode reduzir a dependência de defensivos químicos, sem dispensar o acompanhamento técnico da lavoura.
Durante os dois dias, os participantes discutirão protocolos para avaliar a qualidade dos inoculantes, critérios de validação de novos produtos, legislação e condições de mercado. O objetivo é evitar que a rápida expansão da oferta seja acompanhada pela comercialização de produtos sem eficiência comprovada.
A programação terá ainda uma rodada de negócios para aproximar pesquisadores e empresas interessadas em transformar tecnologias desenvolvidas nos laboratórios em produtos disponíveis aos agricultores.
A organização recebe até sábado (15.08) resumos de trabalhos científicos, que serão apresentados em sessão de pôsteres e publicados nos anais do evento. Para enviar o material, o interessado precisa estar inscrito na Relare.
Serviço
Evento: 22ª Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola
Data: 19 e 20 de agosto de 2026
Local: Centro de Eventos do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep)
Endereço: Avenida Comendador Franco, 1.341, Jardim Botânico, Curitiba
Trabalhos científicos: envio até 15 de agosto
Informações: [email protected]
Inscrições: clique aqui
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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