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Seguro rural encolhe R$ 1,3 bilhão em uma no e eleva risco financeiro no campo

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A queda na contratação de seguro rural em 2025 expôs uma fragilidade crescente no agronegócio brasileiro: a dependência de instrumentos públicos para sustentar a proteção da produção. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg)  mostram que o mercado de seguro rural perdeu aproximadamente R$ 1,3 bilhão, caindo de R$ 14,2 bilhões em 2024 para R$ 12,9 bilhões em 2025, o que significa uma retração de 8,8% no geral.

O movimento, segundo a entidade, não decorre de melhora no risco, mas do encarecimento da proteção. Com menos recursos para subsidiar o prêmio e custos mais elevados nas apólices, parte dos produtores optou por reduzir cobertura ou operar sem seguro. Na prática, uma fatia maior da safra passou a depender exclusivamente do resultado climático.

O efeito dessa decisão tende a aparecer na renda. Em um setor sujeito a variações cada vez mais frequentes de clima, a ausência de seguro amplia a volatilidade do caixa da propriedade. Em caso de quebra de safra, a perda deixa de ser parcialmente compensada e passa a impactar diretamente a capacidade de pagamento e reinvestimento.

Há também reflexo no crédito. Sem cobertura, operações ficam mais arriscadas para bancos e tradings, o que pode encarecer financiamentos ou restringir o acesso, especialmente para produtores de menor escala. O seguro, nesse contexto, funciona como garantia indireta — sua redução enfraquece essa proteção.

A desaceleração contrasta com o ciclo anterior, quando a expansão do seguro acompanhou o avanço da área plantada e a maior adoção de tecnologia no campo. Entre 2021 e 2024, o mercado cresceu quase 50%, consolidando-se como um dos pilares da gestão de risco no agro. A reversão em 2025 indica mudança de comportamento diante do aperto de margem.

O cenário ocorre justamente quando o risco climático se intensifica. Episódios de seca, excesso de chuva e irregularidade no regime hídrico têm se tornado mais frequentes, afetando produtividade em diferentes regiões. Com menos cobertura, esses eventos passam a ter impacto mais direto sobre o resultado da safra.

A discussão sobre alternativas ganha força. Instrumentos privados de financiamento, uso de dados climáticos para precificação e novos modelos de seguro estão no radar do setor, mas ainda avançam de forma gradual. No curto prazo, a dependência da subvenção pública continua sendo um dos principais entraves para a ampliação da cobertura.

Para o produtor, o cenário exige decisão mais estratégica. Reduzir custo no seguro melhora o caixa no curto prazo, mas aumenta a exposição ao risco. Em um ambiente de maior incerteza, a gestão financeira da propriedade passa a depender cada vez mais do equilíbrio entre proteção e custo.

No limite, a retração do seguro rural não é apenas um dado de mercado. É um indicativo de que o risco climático voltou a pesar mais dentro da porteira — e de que a proteção financeira do agronegócio segue aquém do necessário para o tamanho da produção brasileira.

Fonte: Pensar Agro

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Câmara avança em mudança na lei e pode simplificar regras

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A Câmara dos Deputados deu mais um passo para revisar o marco legal da aquicultura no país, em uma tentativa de adequar a legislação à expansão recente da atividade e reduzir gargalos regulatórios que ainda limitam investimentos, sobretudo fora de áreas públicas.

A proposta em análise altera a lei que organiza a política nacional do setor e introduz um ponto central: a separação clara entre a produção realizada em corpos d’água naturais — como rios, lagos e reservatórios — e aquela conduzida em estruturas artificiais dentro de propriedades privadas. Hoje, esses dois modelos convivem sob regras semelhantes, apesar de apresentarem níveis distintos de controle e impacto.

Na prática, a mudança tende a aliviar exigências para produtores que operam em sistemas fechados, como viveiros e tanques escavados, onde o manejo é mais previsível e o risco ambiental é mais controlado. O objetivo é dar mais segurança jurídica e reduzir o tempo e o custo de regularização, pontos frequentemente apontados como entraves para expansão da atividade.

O texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, após já ter passado pela Comissão de Agricultura, e recebeu aval quanto à legalidade e à técnica legislativa. Como tramita em caráter conclusivo, poderá seguir diretamente ao Senado, caso não haja pedido para votação no plenário.

A leitura no setor é de que a iniciativa corrige uma distorção histórica da legislação, que acabou tratando de forma uniforme sistemas produtivos com características muito diferentes. Ao separar os ambientes, a proposta cria uma base mais alinhada à realidade da produção aquícola atual, que vem crescendo principalmente dentro de propriedades privadas.

Mesmo com o avanço, o controle sobre a atividade em águas públicas permanece mais rigoroso, mantendo a necessidade de autorizações e regras específicas. Já para a produção em ambiente artificial, a expectativa é de um ambiente regulatório mais simples e previsível.

Para o produtor, o impacto direto tende a aparecer na redução da burocracia e no aumento da segurança para investir. Em um setor que ainda busca ganhar escala no Brasil, mudanças desse tipo podem acelerar projetos e ampliar a participação da aquicultura na renda dentro da porteira.

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