Agricultura
Projeto bilionário de porto quer disputar exportações do agronegócio no Nordeste
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O Porto Piauí busca consolidar uma nova rota logística para o agronegócio brasileiro em um momento em que o Matopiba amplia produção, industrialização e pressão por corredores de exportação fora do eixo tradicional do Sul e Sudeste. As negociações em andamento para movimentar fécula de mandioca, trigo e grãos pelo terminal de Luís Correia revelam a estratégia do estado de transformar o litoral piauiense em plataforma de integração entre produção agrícola, indústria e comércio exterior.
O projeto ganhou força após o Governo do Piauí anunciar previsão de mais de R$ 7 bilhões em investimentos até 2030 ligados à estrutura portuária, hidrovia, logística e expansão operacional do terminal. Nesta semana, o estado realizou em Luís Correia o seminário “Porto Piauí e Hidrovia do Parnaíba: avanços e resultados”, marcado também pela inauguração do Cais Multipropósito e da nova sede administrativa do porto.
A dimensão dos investimentos ajuda a explicar a aposta do governo estadual. Somente as obras de urbanização, cercamento, sistemas de alfandegamento e rede elétrica somam cerca de R$ 60 milhões. O aprofundamento e manutenção do canal devem receber outros R$ 250 milhões. Há ainda recursos previstos para sinalização náutica, participações societárias e implantação de uma unidade de beneficiamento de pescado.
O avanço da infraestrutura ocorre em meio ao crescimento da produção agrícola no estado. O Piauí colheu mais de 6 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativas oficiais, puxado principalmente por soja e milho produzidos no cerrado do sul do estado. Apesar da expansão, boa parte dessa produção ainda depende de longas rotas rodoviárias até portos de outros estados, elevando custos logísticos e reduzindo competitividade.
A aposta agora é criar uma estrutura capaz de absorver tanto cargas agrícolas quanto produtos industrializados ligados ao agro. Entre as empresas que avaliam operar pelo terminal está a Delta Brazilian Starch, instalada na Zona de Processamento de Exportações (ZPE) de Parnaíba. A indústria recebeu investimento estimado em R$ 40 milhões e foi projetada para processar inicialmente 300 toneladas de mandioca por dia.
A operação mira um mercado em expansão. O Brasil produz cerca de 500 mil toneladas de fécula de mandioca por ano, concentradas principalmente no Paraná e Mato Grosso do Sul. No Nordeste, a produção industrial ainda é limitada, apesar da forte presença da mandioca na agricultura regional. Segundo dados do setor, aproximadamente 95% da fécula consumida no Piauí ainda vem de estados do Sul do país.
A estratégia da indústria instalada em Parnaíba é justamente inverter esse fluxo: utilizar mandioca produzida localmente para abastecer mercados nacionais e exportar parte da produção. A estimativa é que a cadeia gere cerca de 500 empregos diretos e indiretos, envolvendo produtores rurais, transporte, armazenagem e serviços ligados ao processamento industrial.
O porto também negocia operações com a Moinhos Piauí, que busca estruturar uma rota de cabotagem para importação de trigo. O cereal é praticamente todo trazido de outras regiões do país ou do exterior, principalmente Argentina e Paraguai. Hoje, a dependência de transporte terrestre encarece o abastecimento da indústria moageira nordestina.
A cabotagem aparece como alternativa para reduzir custos logísticos em um setor pressionado por frete elevado. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a navegação de cabotagem movimentou 303,7 milhões de toneladas no Brasil em 2025, alta de 3,4% sobre o ano anterior. O governo federal e operadores privados veem o modal como peça-chave para reduzir a concentração do transporte rodoviário no país.
Em paralelo às negociações comerciais, o Porto Piauí tenta acelerar sua estruturação física. Durante a Intermodal South America 2026, a CS Infra apresentou estudos para implantação de um terminal de grãos em Luís Correia. A empresa já opera a Rodovia Transcerrados, principal corredor de escoamento da produção agrícola do sul do Piauí.
Os estudos analisam desde acesso rodoviário até operações de embarque e integração logística com o Matopiba, região que reúne áreas agrícolas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e responde por uma das maiores expansões agrícolas do país nas últimas décadas.
Outra frente em andamento envolve a implantação de um terminal de cargas gerais pela CNAGA – Armazéns Gerais Alfandegados. O projeto prevê investimento inicial de R$ 21 milhões em uma área de 27 mil metros quadrados voltada à movimentação de contêineres e cargas diversas.
Embora ainda opere em escala reduzida, o terminal de Luís Correia é tratado pelo governo estadual como peça estratégica para mudar a dinâmica econômica do estado. A avaliação no setor é que o porto pode reduzir custos de exportação, atrair agroindústrias e ampliar a competitividade da produção agrícola piauiense, especialmente em cadeias de maior valor agregado.
Na prática, o desafio vai além da infraestrutura portuária. Especialistas apontam que o sucesso do projeto dependerá da capacidade de consolidar volume de cargas, atrair operadores logísticos e criar integração eficiente entre produção, armazenagem e transporte. Sem escala, o custo operacional tende a limitar a competitividade frente a portos já consolidados do Arco Norte e do Sudeste.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas, estima Deral
A primeira estimativa para a safra 2026/27, divulgada nesta quinta-feira (27.09), aponta uma nova expansão da produção de soja, com 22,64 milhões de toneladas previstas, crescimento de 4% em relação ao ciclo atual. O avanço deve ocorrer praticamente sem aumento da área plantada, sustentado principalmente pela expectativa de maior produtividade nas lavouras.
A projeção foi divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e coloca a produtividade como principal fator para o crescimento esperado na próxima temporada.
A área destinada à soja está estimada em 5,76 milhões de hectares, apenas 0,5% acima dos 5,73 milhões de hectares cultivados em 2025/26. Já o rendimento médio deve passar de 3.802 para 3.930 quilos por hectare, avanço de aproximadamente 3,4%.
Se a previsão se confirmar, serão quase 840 mil toneladas adicionais de soja sem uma expansão proporcional das lavouras. O resultado reforçaria um movimento importante para o produtor em um momento de margens mais apertadas, no qual elevar a produção por hectare tende a ser mais relevante do que simplesmente aumentar a área cultivada.
A estimativa parte de uma base já elevada. Para 2025/26, o Deral calcula produção de 21,80 milhões de toneladas, 3% superior às 21,14 milhões de toneladas colhidas em 2024/25. A projeção praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.
O desempenho da próxima temporada, entretanto, ainda dependerá principalmente do clima. A projeção inicial trabalha com condições consideradas normais de desenvolvimento, enquanto o plantio e as fases mais importantes para definição da produtividade ocorrerão ao longo dos próximos meses.
Milho verão mantém produção acima de 4 milhões de toneladas
Para o milho da primeira safra, a expectativa é de estabilidade. A produção está projetada em 4,10 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 1% abaixo dos 4,14 milhões de toneladas obtidos no ciclo atual.
A área, por outro lado, deve crescer 2%, passando de 365,7 mil para 373 mil hectares. A produtividade esperada é de 10.984 quilos por hectare.
O número chama atenção pelo elevado rendimento do milho verão, que permanece concentrado em uma área muito menor do que a ocupada pela segunda safra. A maior parte do milho paranaense é produzida depois da colheita da soja.
Na temporada 2025/26, o milho verão apresentou forte recuperação. As 4,14 milhões de toneladas representam crescimento de 36% em relação às 3,05 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.
A segunda safra de milho, atualmente em fase final, também recebeu uma revisão positiva. O Deral elevou sua estimativa de 17,05 milhões para 17,32 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 270 mil toneladas em relação à previsão de julho.
Mesmo com a revisão, o volume permanece 3% abaixo das 17,90 milhões de toneladas obtidas em 2024/25. A área cresceu 3%, para 2,917 milhões de hectares, mas a produtividade caiu de 6.317 para 5.940 quilos por hectare.
Trigo perde área e produção
O quadro é menos favorável para o trigo. A estimativa para a safra 2025/26 caiu para 2,37 milhões de toneladas, redução de 18% frente às 2,88 milhões de toneladas do ciclo anterior.
A retração combina menor área e menor produtividade. O plantio recuou 11%, para 726,9 mil hectares, enquanto o rendimento médio está estimado em 3.259 quilos por hectare, ante 3.526 quilos na temporada passada.
A primeira fotografia da safra 2026/27, portanto, indica que a soja continuará ocupando praticamente a mesma área, mas poderá entregar uma produção maior. Para o produtor, o desafio será transformar o ganho esperado de produtividade em resultado financeiro num cenário em que custos de produção e preços recebidos continuam determinantes para a margem da atividade.
Fonte: Pensar Agro
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