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Novas regras ambientais mudam Seguro Rural e reforçam papel do agro na preservação ambiental

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A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, realizada em Belém, Pará, terminou com saldo favorável ao agronegócio, mas também com desafios importantes. O Pará mostrou ao mundo tanto seu potencial quanto suas contradições: riquezas naturais e produtivas convivem com graves carências sociais e de infraestrutura.

A conferência revelou as contradições da região: o Pará, por exemplo, tem grande potencial, com 30% do território já antropizado, clima estável e 3,2% da água doce mundial, segundo Carlos Xavier, presidente da Federação de Agricultura do Estado do Pará (Faepa). Por outro lado, o estado enfrenta problemas graves, como saneamento básico insuficiente na capital, baixa infraestrutura e uma população que sofre com descaso, apontou Vinícius Borba, presidente da Associação dos Produtores Rurais da Amazônia (APRIA

O agro, pela primeira vez, contou com espaço próprio dentro da conferência. Os debates focaram dados técnicos sobre preservação: mais de 65% do território brasileiro é preservado, e quase um terço está dentro de propriedades rurais. Na Amazônia, a preservação chega a mais de 80%; apenas 14% do território amazônico tem uso agropecuário, sendo a maior parte pastagem. Os produtores destacam o papel do setor na captura de carbono por meio de florestas produtivas e pastagens.

Mesmo assim, a distância entre discurso internacional e a realidade do campo é grande. A região enfrenta desafios antigos, como a insegurança fundiária, dificuldades de acesso a crédito, infraestrutura deficiente e baixa qualidade de vida para muitos que ali vivem e produzem. A COP30 não conseguiu avanços sobre combustíveis fósseis nem financiamento climático. Entre as críticas está a insistência em remuneração apenas pelo “não desmatamento”.

Dados científicos apresentados reforçam que o Brasil é uma potência agroambiental. A Embrapa mostrou que 65,6% do território nacional está preservado, sendo 29% dentro de propriedades rurais. Na Amazônia, a preservação chega a 83,7%, enquanto o uso agropecuário ocupa apenas 14,1%, divididos entre pastagens (12,1%) e lavouras (2%). Terras indígenas, unidades de conservação e áreas militares totalizam 34,9%, e áreas preservadas dentro de propriedades rurais correspondem a 27,4%.

SEGURO – Um dos efeitos práticos da conferência para o campo foi a publicação de novas regras para o Seguro Rural. Agora, assim como acontece no mercado financeiro, as seguradoras exigem conformidade ambiental: só estará apto ao seguro o produtor que tiver a documentação da terra, especialmente o Cadastro Ambiental Rural em situação regular, e nenhum embargo vigente por questões ambientais. Também ficam excluídos produtores com sobreposição de terras indígenas, áreas de proteção ou envolvidos em irregularidades trabalhistas graves.

As novas exigências para o Seguro Rural entram em vigor a partir de 2026, mas se aplicam apenas a contratos novos de crédito rural a partir de 2 de janeiro de 2025. As seguradoras vão usar ferramentas abastecidas por informações oficiais e mapas georreferenciados para checar pendências antes de liberar apólices. Caso haja qualquer inconformidade, o produtor será alertado para que apresente justificativas e regularize a situação.

Pelas novas normas fica proibida a celebração de contratos para:

  • atividades e bens que estão localizados em imóveis rurais que não tenham o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Além disso, propriedades com CAR cancelado ou suspenso não poderão ter acesso ao seguro rural;
  • empresas ou pessoas físicas que estejam na lista de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão;
  • bens ou atividades rurais localizados em imóveis que estejam em situação de sobreposição em relação a áreas de conservação ou terras indígenas (desde que homologadas, regularizadas ou definidas como reserva indígena) e terras de comunidades quilombolas. O mesmo vale para propriedades rurais que tenham sobreposição em áreas de Floresta Pública Tipo B — aquelas ainda sem destinação definida;
  • atividades ou bens em imóveis rurais com embargo ambiental vigente, expedido tanto por órgão federal como por órgão estadual.

A principal mensagem deixada pelo encontro é de que conciliar produção e preservação é possível — e que o Brasil, pela dimensão do agro, está no centro desse desafio. No Brasil, quem produz comida também preserva — e paga por isso diariamente, inclusive socialmente. As novas regras buscam valorizar quem faz isso certo e garantir maior transparência para toda a cadeia do seguro agropecuário.

Fonte: Pensar Agro

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Nova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas, estima Deral

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A primeira estimativa para a safra 2026/27, divulgada nesta quinta-feira (27.09), aponta uma nova expansão da produção de soja, com 22,64 milhões de toneladas previstas, crescimento de 4% em relação ao ciclo atual. O avanço deve ocorrer praticamente sem aumento da área plantada, sustentado principalmente pela expectativa de maior produtividade nas lavouras.

A projeção foi divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), e coloca a produtividade como principal fator para o crescimento esperado na próxima temporada.

A área destinada à soja está estimada em 5,76 milhões de hectares, apenas 0,5% acima dos 5,73 milhões de hectares cultivados em 2025/26. Já o rendimento médio deve passar de 3.802 para 3.930 quilos por hectare, avanço de aproximadamente 3,4%.

Se a previsão se confirmar, serão quase 840 mil toneladas adicionais de soja sem uma expansão proporcional das lavouras. O resultado reforçaria um movimento importante para o produtor em um momento de margens mais apertadas, no qual elevar a produção por hectare tende a ser mais relevante do que simplesmente aumentar a área cultivada.

A estimativa parte de uma base já elevada. Para 2025/26, o Deral calcula produção de 21,80 milhões de toneladas, 3% superior às 21,14 milhões de toneladas colhidas em 2024/25. A projeção praticamente não mudou em relação ao levantamento anterior.

O desempenho da próxima temporada, entretanto, ainda dependerá principalmente do clima. A projeção inicial trabalha com condições consideradas normais de desenvolvimento, enquanto o plantio e as fases mais importantes para definição da produtividade ocorrerão ao longo dos próximos meses.

Milho verão mantém produção acima de 4 milhões de toneladas

Para o milho da primeira safra, a expectativa é de estabilidade. A produção está projetada em 4,10 milhões de toneladas em 2026/27, apenas 1% abaixo dos 4,14 milhões de toneladas obtidos no ciclo atual.

A área, por outro lado, deve crescer 2%, passando de 365,7 mil para 373 mil hectares. A produtividade esperada é de 10.984 quilos por hectare.

O número chama atenção pelo elevado rendimento do milho verão, que permanece concentrado em uma área muito menor do que a ocupada pela segunda safra. A maior parte do milho paranaense é produzida depois da colheita da soja.

Na temporada 2025/26, o milho verão apresentou forte recuperação. As 4,14 milhões de toneladas representam crescimento de 36% em relação às 3,05 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.

A segunda safra de milho, atualmente em fase final, também recebeu uma revisão positiva. O Deral elevou sua estimativa de 17,05 milhões para 17,32 milhões de toneladas, acréscimo de aproximadamente 270 mil toneladas em relação à previsão de julho.

Mesmo com a revisão, o volume permanece 3% abaixo das 17,90 milhões de toneladas obtidas em 2024/25. A área cresceu 3%, para 2,917 milhões de hectares, mas a produtividade caiu de 6.317 para 5.940 quilos por hectare.

Trigo perde área e produção

O quadro é menos favorável para o trigo. A estimativa para a safra 2025/26 caiu para 2,37 milhões de toneladas, redução de 18% frente às 2,88 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A retração combina menor área e menor produtividade. O plantio recuou 11%, para 726,9 mil hectares, enquanto o rendimento médio está estimado em 3.259 quilos por hectare, ante 3.526 quilos na temporada passada.

A primeira fotografia da safra 2026/27, portanto, indica que a soja continuará ocupando praticamente a mesma área, mas poderá entregar uma produção maior. Para o produtor, o desafio será transformar o ganho esperado de produtividade em resultado financeiro num cenário em que custos de produção e preços recebidos continuam determinantes para a margem da atividade.

Fonte: Pensar Agro

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