Agricultura
Mulheres já são 4,3 milhões nas decisões do campo e têm menor inadimplência
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As mulheres representam 40% dos 10,7 milhões de produtores e outros profissionais identificados como decisores rurais no Brasil, o equivalente a aproximadamente 4,3 milhões de pessoas. O levantamento também mostra que as produtoras apresentam inadimplência inferior à dos homens e ampliaram a participação na propriedade, na gestão e no uso de tecnologia nos últimos dez anos.
Os dados fazem parte do estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”, apresentado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) na sexta-feira (2), durante o Global Agribusiness Festival, realizado em São Paulo.
A identificação dos decisores foi feita pela Serasa Experian a partir de uma base de 10,7 milhões de pessoas físicas relacionadas à atividade rural. O universo reúne registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR), do Cadastro Federal de Imóveis Rurais (Cafir), do Cadastro Positivo e do Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (Sintegra).
O resultado não significa que as mulheres comandem isoladamente 40% das propriedades brasileiras. O indicador mede a participação feminina entre as pessoas identificadas como responsáveis por decisões e atividades econômicas rurais, inclusive em negócios que podem ter mais de um proprietário ou gestor.
A análise do comportamento financeiro aponta inadimplência menor entre as mulheres nos diferentes grupos examinados. Entre as grandes proprietárias, a proporção registrada foi de 6,85%. Na Região Sul, 5,4% das produtoras apresentavam dívidas vencidas dentro dos critérios considerados pelo levantamento.
Como referência, o indicador geral da Serasa Experian para a população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026. A comparação exige cautela porque os recortes por porte, região e gênero podem reunir perfis diferentes de atividade e exposição ao crédito.
Ainda assim, os resultados colocam as produtoras em posição favorável na avaliação de risco. Taxas menores de inadimplência podem facilitar a negociação com bancos, cooperativas, fornecedores e empresas responsáveis pelo financiamento de insumos e máquinas.
“Prudência financeira aliada a um rigor exemplar em práticas de conformidade socioambiental coloca a gestão feminina em um patamar de alta confiabilidade para o mercado de crédito”, afirmou Sabrina Muñoz, gerente executiva de GeoData e Analytics para o agronegócio da Serasa Experian.
O estudo também cruzou os cadastros rurais com informações sobre trabalho em condições análogas à escravidão e desmatamento detectado pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).
Os cadastros vinculados exclusivamente a homens concentraram 77% das ocorrências de trabalho escravo examinadas, enquanto os CPFs femininos responderam por 5%. Nos registros relacionados ao desmatamento, os percentuais foram de 67% para homens e 20% para mulheres.
Esses números mostram como as ocorrências estão distribuídas entre os cadastros analisados, mas não representam diretamente a taxa de irregularidade de cada gênero. Também não permitem concluir, isoladamente, que o sexo do proprietário seja a causa das diferenças observadas. Porte das áreas, localização, atividade produtiva e composição societária podem influenciar os resultados.
Outra parte da pesquisa comparou o perfil das gestoras entrevistadas em 2026 com o levantamento realizado dez anos antes. Entre as participantes, 91% disseram possuir total ou parcialmente o negócio rural, proporção 10 pontos percentuais superior à registrada na primeira edição.
A escolaridade também avançou. A parcela das entrevistadas com pós-graduação passou de 24%, em 2015, para 46% em 2026. No levantamento atual, 77% declararam ter concluído o ensino superior.
A maior qualificação aparece acompanhada da incorporação de ferramentas digitais. Sete em cada dez gestoras afirmaram utilizar, de maneira independente ou parcialmente independente, recursos como drones, telemetria e sistemas de administração da propriedade.
O estudo combinou informações de bases nacionais com uma etapa quantitativa e 25 entrevistas em profundidade com produtoras, pecuaristas e empresárias agroindustriais de diferentes regiões. As entrevistas identificaram avanços na autonomia das mulheres, mas também a permanência de obstáculos como barreiras culturais, dupla jornada e necessidade de apoio familiar.
Práticas como uso de bioinsumos, biodigestores, manejo da água, bem-estar animal e genômica também aparecem na rotina das participantes. Para a Abag, a combinação entre formação, tecnologia e presença direta na propriedade está mudando o perfil da gestão rural.
A pesquisa indica que a participação feminina deixou de estar restrita às atividades de apoio ou à sucessão familiar. Com maior presença na propriedade e nas decisões financeiras, as mulheres passaram a ocupar parte relevante da administração cotidiana do agronegócio brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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