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Etanol eleva consumo de milho e ajuda sustentar produção recorde

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A expansão das usinas de etanol deverá elevar o consumo de milho dentro de Mato Grosso para 22,10 milhões de toneladas na safra 2025/26, crescimento de 9,12% em relação ao ciclo anterior. O avanço abre mercado para uma produção estadual estimada no recorde de 57,39 milhões de toneladas, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para o produtor, o crescimento da indústria reduz parte da dependência das exportações e cria uma demanda mais próxima das regiões produtoras. Esse movimento pode diminuir custos logísticos e ampliar as opções de comercialização, embora a oferta elevada ainda mantenha pressão sobre os preços do cereal.

A área cultivada com milho foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, aumento de 2,41% sobre a temporada passada. Trata-se da segunda maior extensão destinada à cultura na série histórica do Imea, atrás apenas da registrada na safra 2022/23.

A produtividade média foi estimada em 128,67 sacas por hectare. O rendimento elevado foi sustentado pela distribuição favorável das chuvas durante boa parte do desenvolvimento das lavouras. Com a combinação entre área maior e boa produtividade, a colheita deverá superar em 3,53% o resultado do ciclo anterior e ficar 23,85% acima da média dos últimos cinco anos.

A demanda total pelo milho mato-grossense na safra 2025/26 foi projetada em 57,20 milhões de toneladas. Além das 22,10 milhões de toneladas consumidas dentro do estado, outras 11 milhões deverão ser enviadas para indústrias e compradores de outras unidades da Federação, volume 6,18% maior que o da temporada anterior.

As exportações foram estimadas em 24,10 milhões de toneladas, redução de 1,09%. A queda não representa necessariamente perda de mercado, mas uma mudança no destino da produção, com parcela maior do cereal sendo processada no próprio País.

O Imea também revisou a demanda da safra 2024/25 para 54,98 milhões de toneladas, alta de 0,85% em relação ao cálculo anterior. O ajuste foi provocado pelo aumento da moagem nas usinas de etanol e reduziu a projeção dos estoques finais para 974,03 mil toneladas, queda de 32,14%.

Para o ciclo 2025/26, os estoques deverão voltar a crescer e alcançar aproximadamente 1,17 milhão de toneladas. Mesmo com o avanço do consumo, a produção recorde será suficiente para atender às usinas, aos compradores de outros estados e ao mercado externo.

A disponibilidade elevada exige atenção do produtor ao ritmo das vendas. O crescimento da indústria de etanol cria uma base mais firme para a demanda, mas não elimina os efeitos da colheita concentrada, da falta de armazéns e dos custos de transporte sobre as cotações recebidas nas regiões produtoras.

No mercado da soja, a redução da oferta disponível durante a entressafra sustentou os preços em Mato Grosso. A saca encerrou a última semana cotada, em média, a R$ 122,88, valorização de 0,99% no período.

A alta do grão, porém, elevou os custos das indústrias. Em julho, a soja teve preço médio de R$ 116,74 por saca, o maior valor registrado em 2026 e 9,49% superior ao de junho. Como consequência, a margem bruta de esmagamento caiu 20,52% e terminou o mês em R$ 435,43 por tonelada processada.

Os preços do farelo e do óleo de soja avançaram 4,46% e 0,22%, respectivamente, mas não acompanharam integralmente a valorização da matéria-prima. Se essa diferença continuar, as indústrias poderão enfrentar nova redução de margem, mesmo com a demanda pelos coprodutos.

No mercado internacional, o clima nos Estados Unidos permanece como o principal fator de incerteza para a formação dos preços. Até 2 de agosto, 63% das lavouras norte-americanas de soja estavam classificadas em condições boas ou excelentes, sete pontos porcentuais abaixo do registrado no mesmo período de 2025, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

Apesar da piora das lavouras, o USDA ainda projeta uma colheita recorde de aproximadamente 121,8 milhões de toneladas de soja. A estimativa foi elevada em cerca de 1,1 milhão de toneladas no relatório de julho, principalmente em razão do aumento da área a ser colhida.

A projeção de 131,6 milhões de toneladas citada em alguns relatórios corresponde à produção total de oleaginosas dos Estados Unidos, que inclui soja, canola, algodão, girassol e outras culturas.

Agosto será decisivo para confirmar a produtividade norte-americana. Calor intenso ou falta de chuva durante a formação e o enchimento das vagens poderá reduzir o potencial da safra e dar sustentação às cotações internacionais. Caso o clima melhore, a perspectiva de produção recorde deverá manter a pressão sobre os preços, com reflexos nas negociações dos produtores brasileiros.

Fonte: Pensar Agro

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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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