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Crédito do Plano Safra chega a R$ 226,9 bilhões, mas ritmo desacelera

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O crédito liberado pelo governo no atual Plano Safra 2025/26 já soma R$ 226,9 bilhões desde o início da temporada, em 1º de julho do ano passado. O valor corresponde a 56% dos R$ 405,9 bilhões previstos em recursos oficiais para financiamento da produção agrícola e pecuária nesta safra.

Apesar do volume elevado, o ritmo de contratações está mais lento do que no ciclo anterior. No mesmo período da safra passada, os desembolsos somavam R$ 260,2 bilhões, o que significa uma queda de 12,8% neste ano. Os dados são do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central.

Ao todo, foram registrados 1,597 milhão de contratos de crédito rural até fevereiro, número 3,6% maior que o de um ano atrás. Isso indica que os produtores continuam buscando financiamento, mas com valores médios menores por operação, reflexo principalmente dos juros mais altos e do maior endividamento no campo.

Na prática, produtores e bancos estão mais cautelosos. Muitos agricultores têm evitado assumir novas dívidas em um cenário de custos elevados, margens apertadas e preços de algumas commodities mais baixos do que os observados no ano passado.

Custeio segue como principal destino do crédito

A maior parte do dinheiro liberado no Plano Safra continua sendo usada para custeio das lavouras, ou seja, para pagar despesas da produção, como sementes, fertilizantes, defensivos, combustível e operações de campo.

Até fevereiro, os financiamentos para custeio somaram R$ 125,7 bilhões, em mais de 530 mil contratos, valor 13,8% menor que no mesmo período da safra passada.

Já as linhas destinadas a investimentos, usadas para compra de máquinas, equipamentos e melhorias nas propriedades, movimentaram R$ 55,9 bilhões, com queda de 22,3% em relação ao ciclo anterior.

As operações voltadas à comercialização da produção somaram R$ 21,7 bilhões, enquanto o crédito para industrialização alcançou R$ 23,4 bilhões, neste caso com crescimento expressivo em comparação ao ano passado.

Agricultura familiar e médios produtores

Entre os pequenos produtores enquadrados no Pronaf, foram firmados 1,33 milhão de contratos, que somaram R$ 46,1 bilhões em financiamentos. O valor representa leve queda de 1,2% frente ao mesmo período da safra anterior.

No caso do Pronamp, voltado aos médios produtores, foram registradas 143,5 mil operações, totalizando R$ 44,7 bilhões, recuo de cerca de 2% em relação ao ano passado.

Já os grandes produtores e cooperativas contrataram R$ 136 bilhões em crédito rural até fevereiro, uma redução mais expressiva, de 36,6% na comparação anual.

CPR ganha espaço no financiamento do agro

Embora o crédito oficial esteja mais lento, o financiamento privado tem compensado parte dessa redução. Um exemplo são as Cédulas de Produto Rural (CPRs), usadas por bancos e tradings para financiar a produção.

Somente entre julho e janeiro foram liberados R$ 143,2 bilhões nessa modalidade. Considerando esses recursos, o volume total de financiamento da agricultura empresarial cresce cerca de 6% em relação ao mesmo período da safra passada.

Hoje, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) continuam sendo a principal fonte de recursos para o crédito rural, com R$ 75,5 bilhões liberados até fevereiro. Em seguida aparecem os recursos obrigatórios dos bancos, com R$ 52 bilhões, e os recursos da poupança rural, que somam R$ 51,3 bilhões.

Quanto ainda resta do Plano Safra

Para toda a safra 2025/26, o governo disponibilizou R$ 594,4 bilhões em financiamento ao agronegócio, somando crédito oficial e recursos privados vinculados.

Desse total, R$ 78,2 bilhões são destinados à agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões aos médios produtores pelo Pronamp e R$ 258,6 bilhões aos demais produtores e cooperativas.

Com pouco mais da metade dos recursos oficiais já contratados, o desempenho do crédito rural nos próximos meses dependerá principalmente de juros, preços das commodities e capacidade de pagamento dos produtores, fatores que hoje influenciam diretamente a decisão de tomar ou não novos financiamentos.

Fonte: Pensar Agro

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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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