Cultura
10ª Bienal de Dança do Ceará tem 65 apresentações no estado
Cultura
Sete municípios cearenses, além da capital Fortaleza, recebem a partir desta quarta-feira a programação da 10ª Bienal Internacional de Dança do Ceará – De Par em Par. São 44 atrações de vários estados do país e grupos convidados da França e da Bélgica, que farão 65 apresentações artísticas pelos palcos do Ceará até 1º de novembro.

Além dos espetáculos estão previstas oficinas, seminários, exposições, residências e videocasts, compondo um rico intercâmbio de criação e formação entre os artistas participantes e as cidades por onde a Bienal vai circular.
As primeiras cidades a receberem os espetáculos são Juazeiro do Norte e Crato, localizadas na região do Cariri. O Teatro do Banco do Nordeste, que fica em Juazeiro, recebe nesta quarta e quinta-feira dois grupos cearenses de dança com os espetáculos “Água Viva” e “Floresta de Pedras”.
Já o Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo, no Crato, terá grupos do Ceará, do Rio de Janeiro, de Goiás e de São Paulo, se apresentando até o próximo sábado. O público da cidade recebe ainda um presente adicional, um concerto do projeto Ceará Sinfônico com apresentação da Orquestra, do Coral e do Grupo de Sopros e Percussão da Universidade Federal do Cariri, além do grupo Kariri Sax e da Orquestra Vila da Música.
Em Fortaleza, a abertura oficial da Bienal será na próxima sexta-feira, no Cineteatro São Luiz, a partir das 19h, com dois espetáculos. A São Paulo Companhia de Dança leva para o palco “Giselle – Ato II” e a Cisne Negro Cia. de Dança apresenta “Cisne em Movimento”, que traz um recorte de quatro trabalhos coreográficos do grupo. Há também apresentações em outros espaços como o Teatro José de Alencar e o Teatro do Dragão do Mar. Em paralelo, Paracuru, que fica na região metropolitana da capital, também recebe a programação na sexta e no sábado, com os grupos se apresentando em espaços ao ar livre, na Praça da Matriz.
Entre 26 e 31 de outubro a programação da Bienal passa ainda por mais quatro cidades: Pacatuba, Aracati, Baturité e Guaramiranga.
Na página oficial do evento, bienaldedanca.com, é possível consultar o calendário de cada dia.
Cultura
Viva Maria homenageia o grande músico Benito di Paula
Neste domingo, dia 18 de outubro, perdemos o amigo Benito di Paula, músico que vai deixar saudade. Em suas músicas, em prosa e verso, as mulheres foram sempre colocadas em primeiro lugar. E para homenageá-lo, o Viva Maria conversa com o produtor multimídia Ruy Godinho, autor de uma série muito interessante, chamada “Então foi assim?”, que é composta por três volumes, com curiosidades da criação musical e as histórias que inspiraram canções como “Maria Maria”, por exemplo. Rui Godinho fala desse projeto.

“Ei, Mara Régia, é sempre um prazer muito grande estar do seu lado e deixar respingar em mim a sua luz, a sua nobreza, o seu talento, as suas vibrações e a sua simpatia. Na verdade, a série de livros “Então foi assim?” conta com quatro volumes sequenciais e um volume dedicado exclusivamente à música dos compositores amapaenses e que estão disponíveis no site entaofoiassim.com.br.
Ele também fala da grande perda que foi a partida de Benito di Paula.
“Quero lamentar a partida deste importante músico e compositor carioca, que nasceu em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1941, e faleceu agora no dia 18 de outubro de 2026 em São Paulo. O Benito deixou um legado maravilhoso de sambas memoráveis que tinham diferenciais que o tornaram único no cenário musical brasileiro. Porque, primeiro, ele tornou o piano o protagonista de sua arte. Enquanto o samba tradicional usa como referência o violão de 7 cordas, o cavaquinho e a percussão, Benito trouxe o piano para o centro do arranjo. Ele tocava o instrumento com batidas percussivas e sincopadas muito marcantes. Ele criou um gênero novo, na verdade, que a crítica e a imprensa apelidaram de “samba-jóia”, que tinha como alicerce o samba romântico. Outro diferencial era a interpretação vocal apaixonada, expressiva e romântica, que misturava o lírico da boemia e das casas da noite com o ritmo solto do morro”.
Benito di Paula foi campeão de vendas de discos e também fez carreira internacional com shows na Europa, na América Latina e até no Japão. E, dentre seus maiores sucessos, constam as inesquecíveis “Retalhos de Cetim”, “Charles Brown”, “Mulher Brasileira”, “Ah! Como eu amei”. Ruy Godinho destaca que Benito di Paula foi precursor do samba romântico, do pagode romântico, fenômeno dos anos de 1990
“Raça Negra, Só Pra Contrariar, Katinguelê beberam nessa fonte ao adotarem a temática amorosa aliada a arranjos harmônicos mais suaves”.
O produtor musical salienta como as músicas de Benito subvertem a figuração das mulheres no samba e as homenageia.
“As letras de samba sempre penalizavam as mulheres como a vilã, a maldosa, a vulgar, a ingrata, a da vida fácil, que faz o homem sofrer, etc. e etc. e etc. Quer dizer, muitos sambas falam mal da mulher, marginalizam a mulher. Aí o Benito veio e deu uma resposta definitiva, colocando a mulher brasileira em primeiro lugar. Olha que coisa linda!”
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