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Resultado das eleições no primeiro turno faz mercado comemorar e dólar recuar 4,12%

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A reação favorável dos investidores ao resultado do primeiro turno das eleições derrubou o dólar em 4,12% nesta segunda-feira (05.10), para R$ 5,0022, na maior queda diária em mais de oito anos. Para o agronegócio, o real mais forte abre espaço para reduzir o custo de insumos importados, mas também pressiona a receita das vendas vinculadas à moeda norte-americana.

O movimento refletiu uma melhora nas expectativas do mercado sobre a condução da economia e o controle das contas públicas. Os investidores ampliaram o interesse por ativos brasileiros. Na mesma sessão, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, avançou 7,70%, enquanto as taxas de juros futuros recuaram.

Essa combinação indica otimismo entre os participantes do mercado. Quando cresce a procura por investimentos no Brasil, a conversão de recursos estrangeiros para aplicações no país aumenta a demanda por reais e a oferta de dólares. As mudanças de posição dos investidores também afetam as cotações. A baixa da moeda expressa essa revisão de expectativas, cuja continuidade dependerá dos próximos acontecimentos econômicos.

Para a economia brasileira, o dólar menor reduz o valor em reais necessário para pagar importações e obrigações denominadas em moeda estrangeira, quando não há uma taxa previamente fixada. Também ajuda a conter a pressão dos produtos importados sobre a inflação. O repasse aos preços internos depende das condições de cada mercado e ocorre em ritmos diferentes.

No campo, esse efeito tem importância especial nos fertilizantes. O Brasil importa cerca de 85% do volume que utiliza, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A valorização do real reduz o custo da conversão cambial dessas compras, mantidos os preços externos. Máquinas e componentes importados também ficam sujeitos a essa mudança.

O desconto na cotação do dólar, entretanto, não chega automaticamente à tabela da revenda. Estoques comprados com câmbio mais alto, fretes e variações nos preços internacionais dos insumos influenciam o valor entregue na fazenda. A oportunidade precisa aparecer nas propostas dos fornecedores para se transformar em economia para o produtor.

Para quem ainda vai comprar produtos destinados ao milho de segunda safra de 2027, o novo patamar cambial abre uma janela de negociação. Além do preço, entram na comparação o prazo de pagamento, os encargos financeiros e o custo do transporte. Uma oferta menor por tonelada só melhora a conta se as demais condições preservarem a vantagem.

Nas vendas da safra, o efeito ocorre na direção oposta. Produtos como soja, milho, café e açúcar têm preços influenciados pelo mercado internacional. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), a conversão das cotações externas para reais tem papel determinante na formação dos valores domésticos.

Uma venda pelo mesmo preço em moeda estrangeira gera menos reais quando o dólar cai. Isso pressiona a referência de preço usada pelos compradores no Brasil. Cotações internacionais, prêmios de exportação, fretes e demanda local também participam dessa formação e podem compensar ou ampliar o efeito cambial.

Uma simulação mostra as duas faces do movimento: uma compra inteiramente dolarizada que equivalia a R$ 100 mil passaria a custar R$ 95.880 após uma queda cambial de 4,12%, mantidas as demais condições. Uma receita igualmente vinculada ao dólar sofreria redução de mesmo valor. O cálculo ilustra apenas a conversão da moeda, sem prever descontos nos insumos ou baixas nos preços agrícolas.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) , Isan Rezende (foto), a melhora da confiança na economia é um sinal positivo para quem produz. “Quando há mais disposição para investir no Brasil, o agronegócio ganha uma perspectiva mais favorável para planejar, modernizar a propriedade e ampliar sua atividade. O motivo para o otimismo está nessa expectativa de um ambiente econômico mais previsível, que dê segurança ao produtor para assumir compromissos e investir em produtividade”.

“O real mais forte abre uma oportunidade de negociar insumos importados em condições melhores. Para o produtor, isso tem importância porque fertilizantes, máquinas e componentes representam uma parcela relevante dos custos. O ganho precisa aparecer no preço entregue na fazenda, mas o movimento cambial já oferece uma referência para comparar propostas e buscar uma relação de troca mais vantajosa”, diz Rezende.

“O otimismo deve caminhar com planejamento. Como o câmbio também influencia a receita das exportações, é preciso olhar a margem da atividade, considerando as compras realizadas e as vendas da safra. O interesse do setor é que a confiança se transforme em investimento, crédito acessível e estabilidade econômica. São condições que favorecem o campo, geram empregos e beneficiam o país, independentemente das preferências políticas”.

“O maior cuidado está no calendário dos contratos. Quem comprou insumos com valor fixado em reais conserva aquela despesa, mesmo que o dólar recue. Se ainda tem produção sem preço definido, enfrenta uma combinação de custos já assumidos e receitas sujeitas ao novo câmbio. Já obrigações ainda denominadas em moeda estrangeira recebem o efeito da taxa usada no pagamento, conforme as condições contratadas”, alerta o presidente do IA.

“A queda dos juros futuros também sinaliza expectativas de financiamento mais barato adiante, mas não altera imediatamente as taxas dos empréstimos rurais. As condições efetivas dependem da política monetária, das linhas disponíveis e da análise das instituições financeiras”, completa Isan Rezende.

Para o produtor, a referência é a margem da atividade. Conferir os custos já contratados, a parcela da safra vendida e as ofertas atuais ajuda a identificar a exposição ao câmbio. Nas próximas compras, vale acompanhar a relação de troca: quantas sacas de produto serão necessárias para pagar uma tonelada de fertilizante. É essa comparação entre despesas e receitas que mostra se o dólar menor está melhorando o resultado da propriedade.

Fonte: Pensar Agro

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Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.

A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.

O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.

A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.

“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.

“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.

Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.

Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.

Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.

Fonte: Pensar Agro

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