Agricultura
Quiabo vira conserva e abre novos mercados para agricultora de Sinop
Agricultura
Para evitar perdas e aumentar o valor da produção, a agricultora familiar e feirante Lenise Schulz, de Sinop, encontrou no processamento do quiabo uma nova oportunidade de negócio. O produto, que antes era comercializado principalmente in natura, passou a ser transformado em conserva em uma agroindústria familiar.
A iniciativa surgiu diante de um problema comum para quem trabalha com produtos agrícolas: quando a oferta aumenta, os preços caem e parte da produção pode acabar perdida. A transformação em conserva permitiu ampliar o prazo de comercialização e agregar valor ao que é produzido na propriedade.
Além do quiabo, Lenise também trabalha com a produção de conservas, doces e geleias. A aceitação do público foi percebida durante degustações e ajudou a impulsionar a comercialização dos produtos.
Hoje, a conserva de quiabo produzida em Sinop já chega a consumidores de Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Cuiabá, além de outros estados, como Pará, Paraná e Rio Grande do Sul.
Apoio para transformar produção em negócio
O processo de expansão também contou com o apoio do Sebrae/MT, que auxiliou a produtora em áreas como gestão, formação de preços, definição de margem de lucro e comercialização.
A orientação ajudou Lenise a olhar para a produção não apenas como uma atividade agrícola, mas também como um negócio com possibilidades de crescimento e acesso a novos mercados.
Para a coordenadora do Sebrae/MT, Leandra Franco, iniciativas como essa mostram como a agroindustrialização pode criar novas possibilidades para a agricultura familiar, ao transformar produtos do campo em itens com maior valor agregado.
A experiência de Lenise mostra que, com criatividade e planejamento, um produto sujeito à sazonalidade e à variação de preços pode ganhar novas formas de comercialização e chegar muito além da propriedade onde é produzido.
Agricultura
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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