Cultura
Exposição em Niterói apresenta elementos do bordado e da folia de reis
Cultura
Duas práticas da cultura popular se unem em uma diversificada exposição no Museu Janete Costa, em Niterói, no Rio de Janeiro. A mostra “O de dentro, o de fora” apresenta elementos da folia de reis, manifestação religiosa que celebra a visita dos Reis Magos ao menino Jesus, e do rico universo dos bordados. O nome da mostra faz referência à arte de bordar, que nasce dentro das casas, do gesto íntimo, e vai ganhando o mundo, em oposição à folia de reis, que vem de fora e vai ganhando a casa, transformando o espaço doméstico em lugar sagrado. Jorge Mendes, curador e responsável pela exposição, explica a ligação entre essas duas formas de arte.

“Embora o bordado e a folia de reis pareçam manifestações diferentes. Eles compartilham muitos pontos em comum, principalmente ligados à casa. O bordado tá ligado ao interior, ao cuidado, ao tempo dedicado com o tecido, a linha, e as histórias ali que são compartilhadas entre gerações. Já a folia tá ligada ao movimento, ao canto, às ruas, os encontros promovidos ali pelas comunidades. Mas ambos falam de pertencimento, de memória, de vínculos afetivos”.
O curador destaca ainda que o bordado e a folia de reis, apesar de tradições antigas, continuam vivos e muito presentes na cultura brasileira, em diversos grupos e manifestações, e que a mostra é um ato de reconhecer essas práticas e as pessoas que se dedicaram a elas.
“Uma forma de reconhecimento. Tanto o bordado quanto a folia de reis chegaram até nós porque muitas pessoas dedicaram tempo, trabalho, afeto pra manter essas tradições vivas. Elas são práticas que carregam histórias e modos de viver que atravessam gerações”.
Entre os elementos expostos estão indumentárias, um pequeno presépio, bandeiras de folia de reis e bordados diversos, incluindo trabalhos autorais assinados pelos artistas criadores. Jorge Mendes fala sobre a reação do visitante no contato com as obras.
“Tem sido uma experiência muito emocionante. Desde a abertura, com a apresentação da folia de reis o público ficou também muito emocionado. O que mais ouvimos lá dos visitantes são os relatos de memórias despertadas pela exposição. Algumas pessoas lembram das mães, das avós. Quando se deparam assim com uma toalha de mesa assim bordada, vão lembrar daquele almoço em família. Outras recordam passagem de folia de reis assim pelos seus bairros e comunidades”.
E para quem também deseja se encantar e saber um pouco mais sobre essas artes, o endereço é Museu Janete Costa de Arte Popular, na Rua Presidente Domiciano, 178, no bairro de São Domingos, em Niterói. A mostra fica em cartaz até 1º de novembro, com entrada franca.
Cultura
Festival ressalta artes cênicas negras e afro-indígenas em São Luís
A capital do Maranhão será palco de encontros, espetáculos, performances, oficinas e experiências que celebram a potência das artes cênicas negras e afro-indígenas. São Luís recebe, a partir desta terça-feira(13) até o próximo sábado, o 1ª Festival de Artes Cênicas Pretas do Maranhão.

Além de artistas maranhenses, a programação – totalmente gratuita – é composta por artistas da Bahia, Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que trazem para o palco diferentes linguagens.
A programação se concentra nos teatros Arthur Azevedo, Luiz Pazzini e o Teatro do Sesc – Napoleão Ewerton, além do Centro Cultural Vale Maranhão.
Durante os cinco dias de evento, os artistas usarão dança, teatro, performances e cenas curtas para levar ao público temas como ancestralidade, literatura negra, cultura popular e experiências sociais e culturais vivenciadas pela população preta.
A abertura acontece às 19h, no Teatro do Sesc Napoleão Ewerton, com a encenação do espetáculo Língua de Boi, da Cia Maranhense. Inspirado no grande mito da cultura maranhense, o grupo ressignifica o renascimento do boi e entrelaça os cinco estágios do luto aos cinco sotaques do Bumba Meu Boi para falar de dignidade, memória e resistência ancestral.
Outros destaques do Festival são os espetáculos A Flor do Mulungu, também do Maranhão; Cuidado com Nós e Parto Pavilhão, ambos de São Paulo; e Histórias da Terra, do grupo paranaense Baquetá.
Em paralelo, também estão previstas oficinas e apresentações em escolas públicas, acompanhadas de ações bate papo com os alunos.
A programação completa está disponível no perfil do evento no Instagram.
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