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Internacionalização do agronegócio como estratégia de Estado atrai diplomacia global

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A internacionalização do agronegócio de Mato Grosso ganha contornos de estratégia de Estado nesta semana. O painel internacional do Summit Pensar Agro, que será realizado sexta-feira (29.05) durante a GreenFarm 2026, em Cuiabá, vai reunir um corpo diplomático de alta relevância e líderes de câmaras de comércio estrangeiras para debater a atração de investimentos, infraestrutura logística e a abertura de novos canais de exportação.

Embaixador Andhika Chrisnayudhanto.

O principal destaque institucional do encontro é a participação confirmada do Embaixador da Indonésia no Brasil, Andhika Chrisnayudhanto. A presença do chefe de missão diplomática asiática é apontada como um marco estratégico para o Estado, dado o papel central que a Indonésia desempenha na segurança alimentar e no comércio do Sudeste Asiático. A vinda da autoridade a Cuiabá chancela Mato Grosso como um parceiro comercial indispensável na Geopolítica do Alimento.

Isan Rezende

A vinda dessas lideranças globais reflete o poder de articulação do presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, curador do Summit Pensar Agro. Há mais de três anos dedicado à consolidação do projeto Pensar Agro, Rezende estruturou uma plataforma de comunicação e relacionamento de alcance internacional.

O projeto de comunicação sob sua liderança inclui o Portal Pensar Agro, atualizado de domingo a domingo, com as informações mais relevantes para o homem do campo; o Podcast Pensar Agro — focado nos grandes debates do setor — e a Revista Pensar Agro, publicada mensalmente em português e inglês.

Com cerca de 13 mil acessos distribuídos por 57 países, a Revista consolidou-se como o principal canal de conexão do agronegócio brasileiro com o mercado global, cravando a liderança de Isan Rezende na vanguarda da diplomacia corporativa do agro nacional.

“A base para qualquer estratégia de mercado forte começa com informação de excelência na ponta”, afirma Isan Rezende. “O Pensar Agro foi desenhado justamente com o propósito de entregar uma comunicação de qualidade para o produtor rural. O homem do campo não pode mais produzir isolado do mundo; ele precisa compreender, em tempo real, como as decisões em Jacarta, Bruxelas ou Nova Déli impactam o seu negócio, sua propriedade e o seu bolso. Nosso papel é traduzir essa geopolítica complexa em inteligência prática, dando ao produtor a ferramenta de informação necessária para ele negociar e decidir o futuro da sua produção com total segurança”, explica Rezende.

Sinergia com a Europa e a Conexão Ásia-Pacífico

Alejandro Gomes

O painel abordará as transformações regulatórias e os novos corredores comerciais que impactam diretamente o produtor brasileiro. Alejandro Gomes, diretor executivo da Câmara Espanhola no Brasil, destaca que debater parcerias com o país europeu é um passo fundamental para estreitar laços comerciais e tecnológicos.

“Na apresentação, pretendo traçar um panorama sobre as sinergias existentes entre o mercado espanhol e o agronegócio mato-grossense. Além disso, abordaremos o papel estratégico e o impacto que o Acordo UE-Mercosul pode ter para potencializar e modernizar essas relações bilaterais nos próximos anos”, afirma Gomes.

A integração logística sul-americana também estará no centro das discussões. Rafael Torres, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Peru, avalia espaços como a GreenFarm como oportunidades extraordinárias para o fortalecimento de vínculos agroindustriais. Torres apresentará o papel estratégico do Peru como uma plataforma de conexão rápida com a Ásia-Pacífico.

Rafael Torres Molares

“Espero que esta visita possibilite a geração de novas alianças entre empresários, instituições e autoridades de ambos os países, promovendo iniciativas que contribuam para o desenvolvimento de corredores logísticos mais eficientes, investimentos conjuntos e maiores oportunidades para o agronegócio”, pontua o presidente da câmara bilateral.

O Bloco ASEAN e a Agenda da Agrotecnologia

Alex Seiki Kawano

A expansão em mercados consolidados e emergentes exige novos modelos institucionais, como o cooperativismo. Segundo Alex Kawano, secretário-geral da Frente Parlamentar Mista Brasil-ASEAN no Congresso Nacional, o modelo é um instrumento vital de competitividade. Kawano pretende demonstrar como parcerias direcionadas podem abrir espaço para o agro de Mato Grosso dentro dos países do bloco da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Pelo lado do Mercosul, a Argentina trará alternativas de investimentos bilaterais. Patricio Violini, chefe da Seção Econômico-Comercial da Embaixada da Argentina no Brasil, ressalta a escala produtiva e a incorporação tecnológica de Mato Grosso. O diplomata apresentará o RIGI (Regime de Incentivo para Grandes Investimentos), mecanismo do governo argentino voltado à estabilidade regulatória em setores como energia e mineração, além de propor cooperações na área de insumos biológicos.

Patricio Violini

“Abordarei oportunidades comerciais argentinas voltadas ao Mato Grosso em segmentos ligados à agrotecnologia, particularmente bioinsumos e biofertilizantes, áreas nas quais a Argentina conta com empresas e capacidades tecnológicas inovadoras”, explica Violini.

A Nova Fronteira Indiana e a Prática do Presente

Guilherme Franca Mota

Uma das teses mais provocativas do Summit será apresentada por Guilherme Mota, diretor adjunto da Câmara de Comércio Índia-Brasil. Mota traça um paralelo histórico importante: a Índia atual possui uma relação comercial com o Brasil semelhante, em escala, à que a China apresentava há duas décadas. A diferença, contudo, reside na diversificação.

“A demanda indiana tende a ser mais diversificada, envolvendo não apenas grandes commodities, mas também produtos como feijões especiais, mungo verde, black matpe, gergelim e algodão. Para um estado com a capacidade produtiva de Mato Grosso, compreender esse movimento desde agora pode representar uma importante vantagem competitiva”, analisa Mota, cuja entidade atua localmente por meio da Regional Centro-Oeste, liderada pelo advogado Marcel Daltro.

A moderação do debate ficará a cargo de Marcel Daltro, sócio-diretor do NWADV, que defende que a internacionalização do setor deixou de ser uma pauta futura. Para Daltro, Cuiabá se posiciona como uma plataforma global onde temas complexos, como corredores bioceânicos e segurança alimentar, encontram soluções práticas.

Marcel Daltro

“Mais do que exportar commodities, o estado começa a ser enxergado como um ambiente relevante para integração logística, cooperação tecnológica, atração de investimentos e inovação. É justamente dentro dessa construção de pontes internacionais que buscamos atuar: aproximando Mato Grosso de mercados estratégicos”, conclui o moderador.

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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

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Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

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