Cultura
Exposição na UFF relembra atos antidemocráticos de 8 de janeiro
Cultura
A UFF, Universidade Federal Fluminense, inaugura nesta terça-feira, dia 31 de março, uma exposição sobre os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro de 2023. “Subterrâneos a céu aberto” reúne um acervo inédito de imagens produzidas nas mídias digitais pelos próprios participantes dos atentados.

A abertura da mostra ocorre no dia em que o golpe militar no Brasil completa sessenta e dois anos e no período em que o fim da ditadura no país chega a quarenta e um anos.
A exposição é resultado de uma pesquisa de imagens e vídeos que circularam nas mídias digitais entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023. A leitura desse acervo permite reconhecer diferentes forças envolvidas no episódio, como ideias autoritárias, discursos antidemocráticos e práticas de violência política.
Além disso, a mostra conta com obras de artistas convidados, que funcionam como um segundo eixo narrativo, ampliando os sentidos propostos pela pesquisa.
O organizador da exposição e pesquisador da UFF, Marcelo Alves, fala sobre o objetivo do projeto.
“A mostra tem o objetivo de refletir sobre qual foi o imaginário político e midiático que influenciou os acampamentos depois dos ataques no 8 de janeiro. E em segundo lugar, compreender o papel das plataformas digitais nesse processo”.
A exposição é dividida em quatro ambientes distintos: labirinto, mosaico, acampamentos e caverna, que compõem um conjunto aberto, no qual o visitante é convidado a circular livremente, construindo seu próprio trajeto e estabelecendo relações entre os ambientes, as obras e os temas propostos.
Marcelo Alves explica que o material exposto pode ser consultado on-line por outros interessados.
“O acervo que foi construído, que foi curado para essa exposição, ele está disponível na internet a partir de um acesso certificado. Então, tem o site do acervo e no site tem todos os procedimentos e protocolos que guiam a governança desses dados e explicam como que outras instituições, outros pesquisadores podem fazer a solicitação e conseguir ter acesso a esses dados para conduzirem suas próprias pesquisas”.
O site para acesso é acervodigital08janeiro.com.puc-rio.br.
A exposição “Subterrâneos a céu aberto” fica em cartaz até o dia 10 de maio, no Centro de Artes da UFF. A entrada é franca.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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