Cultura
Ano Novo Chinês traz a energia do Cavalo de Fogo para 2026
Cultura
Começa nesta terça-feira, dia 17, o Ano Novo Chinês, o do Cavalo de Fogo. Ao contrário do nosso Ano Novo, com virada dia 31 de dezembro para primeiro de janeiro, com base no calendário gregoriano – solar, o dos chineses é lunar, determinado pelos ciclos da lua. Por isso, a data muda todo ano.

A história conta que os anos são dedicados a animais que aceitaram o convite de Buda para uma reunião. E respeita inclusive a ordem de chegada deles ao evento onde só 12 compareceram como explica Luani Macário, terapeuta holística.
“Então, são doze animais que seguiram para o encontro com Buda. Ele fez uma grande reunião e apenas doze apareceu. Então, nós temos, de uma forma que repete, vai terminando e volta de novo os animais.”
O calendário chinês segue a ordem: Porco, búfalo, rato, tigre, coelho, dragão, serpente, cavalo, cabra, macaco, galo ou cão.
Em 2025, foi a vez da serpente e remete a troca de pele. Já 2026 regido pelo cavalo de fogo será diferente, trará renovação, como diz Luani:
“Se o ano passado foi um ano que pediu para a gente ser mais introspectivo, o lado Yin, a gente passa a ser convidado esse ano mais para o lado yang. Então o que que traz o cavalo de fogo? Ele traz uma transmutação do elemento fogo.”
Segundo o Shifu, que quer dizer mestre ou mentor em mandarim, Luis Mello, do Templo Lohan, localizado no Bairro da liberdade em São Paulo, o ano do cavalo de fogo traz a mensagem de correr para alcançar um objetivo.
“Em 2026 você precisa correr em direção aos seus objetivos, galgar esses objetivos de maneira veloz. Não é um ano de muitas vitórias, é um ano de corrida até a vitória que vai ocorrer mais pra frente.”
O Shifu do Templo Lohan diz que o Ano Novo Chinês significa muito mais do que apenas a diversão.
“Como se fosse uma festa de diversão. Parece que as pessoas estão num parque temático, né, da Disney. Que é um Mickey Mouse, tem os leões e os dragões. Como se fosse pra alegrar as pessoas. E também é. Porém, esses animais são exorcistas. E também mensageiros. O dragão, ele traz prosperidade dos céus. E o leão, né, aquele da Dança do Leão, é um exorcista que afasta os maus espíritos. Tudo isso é muito sério na tradição do Ano Novo Chinês. Onde nós queimamos o passado e nos abrimos pro futuro.”
Abrir o futuro e queimar o passado.
As celebrações do Ano Novo costumam durar semanas e as famílias aproveitam a data para se reencontrar. O período aliás, é considerado o de maior migração anual do mundo.
A cor vermelha também dá o tom: distribuição de envelopes vermelhos, lanternas e roupas vermelhas são usadas para atrair sorte e proteção. O som da palavra “vermelho” em mandarim também quer dizer “próspero”. A cor que marca o período, simboliza felicidade e riqueza.
Também por causa da semelhança da palavra cabelo com o termo prosperidade, uma das crenças é de que não se pode lavar as madeixas para não lavar a boa sorte e a fortuna. Outra crença é não varrer a casa no período.
As festividades do Ano Novo Chinês dura cerca de duas semanas e termina em 3 de março.
*Com produção de Luciene Cruz
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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