Agricultura
Projeto cria Instituto Nacional do Leite para enfrentar crise e sustentar renda do produtor
Agricultura
A crise persistente na pecuária leiteira chegou ao Congresso Nacional. Um projeto protocolado nesta retomada legislativa propõe criar uma estrutura pública permanente voltada exclusivamente à cadeia do leite, algo que o setor reivindica há anos.
A proposta institui o Instituto Nacional do Leite (INL), uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, e um mecanismo financeiro próprio, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Cadeia do Leite (FNCL). A ideia é sair do modelo atual — baseado em medidas pontuais — para uma política contínua de regulação, renda e mercado.
O movimento ocorre em um momento delicado. O produtor vem recebendo menos pelo litro ao mesmo tempo em que alimentação do rebanho, energia, medicamentos veterinários e mão de obra continuam subindo. Em janeiro, o preço pago ao pecuarista acumulou a nona queda consecutiva, comprimindo margens principalmente na agricultura familiar, responsável por grande parte da produção nacional.
Além do problema interno, pesa a concorrência externa. O leite em pó vindo principalmente de Argentina e Uruguai entra no mercado brasileiro com preços mais baixos, reduzindo a competitividade do produto nacional. Nos últimos anos o setor chegou a pedir investigações comerciais, mas não houve aplicação de barreiras provisórias, o que aumentou a pressão sobre as fazendas.
O novo instituto funcionaria, na prática, como uma espécie de “Conab do leite”. Entre as atribuições previstas estão monitorar custos de produção, acompanhar importações, promover exportações e estabelecer referências técnicas para o mercado. O texto também autoriza a criação de preços mínimos anuais, definidos a partir de estudos econômicos — algo inexistente hoje para a atividade.
Outra função seria a atuação em períodos de crise. O INL poderia operar estoques reguladores de derivados, organizar políticas de compensação financeira ao produtor e apoiar abertura de mercados externos, além de reforçar ações de qualidade e rastreabilidade para diferenciar produtos lácteos.
Para financiar a estrutura, o projeto cria um fundo próprio. O FNCL reuniria recursos do Orçamento da União, contribuições do próprio setor, parcerias institucionais e parte de receitas ligadas ao comércio de lácteos. O dinheiro poderia ser usado em assistência técnica, inovação, pesquisa, promoção internacional e sustentação de renda.
O instituto também teria papel no comércio exterior, podendo acompanhar práticas de dumping — quando produtos chegam ao país abaixo do custo de produção — e subsidiar decisões do governo em negociações comerciais.
O texto ainda inicia tramitação nas comissões da Câmara. Caso avance, representará a primeira política pública estruturada específica para a cadeia do leite no Brasil, que há anos convive com ciclos recorrentes de baixa remuneração e abandono da atividade por pequenos produtores.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Mulheres do agro debatem sucessão e geopolítica em Cuiabá
O avanço da participação feminina nos centros de decisão do agronegócio brasileiro estará no centro das discussões do Encontro Elas no Campo 2026, que será realizado nos dias 17 e 18 de junho, no Cenarium Rural, em Cuiabá. Considerado o maior evento voltado às mulheres do agro no Centro-Oeste, o encontro reunirá produtoras rurais, executivas, consultoras e especialistas para debater temas como geopolítica, reforma tributária, sucessão familiar, governança corporativa, inovação e saúde mental.
A programação ocorre em um momento de crescimento da presença feminina na gestão das propriedades rurais brasileiras. Dados do Censo Agropecuário do IBGE mostram que cerca de 947 mil estabelecimentos rurais são comandados por mulheres, o equivalente a aproximadamente 19% do total de propriedades do País. Juntas, elas administram cerca de 30 milhões de hectares e ampliam sua participação em áreas estratégicas da cadeia produtiva, como gestão financeira, planejamento patrimonial, tecnologia e sucessão empresarial.
Entre os destaques do evento está a participação do economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS. Em palestra magna, ele abordará os impactos das transformações geopolíticas sobre o comércio global de alimentos e as oportunidades para o Brasil em um cenário de reorganização das cadeias de suprimentos.
A sucessão familiar, considerada um dos principais desafios das empresas rurais brasileiras, também ocupará espaço central na programação. Os debates reunirão lideranças como Sarita Rodas, CEO do Grupo Junqueira Rodas, e Teresa Vendramini, referência nacional na representação do setor agropecuário. As discussões abordarão mecanismos para reduzir conflitos societários, fortalecer a governança e estruturar processos de transição entre gerações.
Outro tema de destaque será a reforma tributária. Especialistas devem apresentar análises sobre os possíveis impactos das novas regras sobre custos de produção, planejamento patrimonial e rentabilidade das atividades agropecuárias. O assunto ganha relevância em um momento em que produtores acompanham a regulamentação do novo sistema tributário brasileiro.
A agenda de inovação inclui debates sobre inteligência de dados, tecnologia aplicada à produção, certificações ESG e estratégias de gestão voltadas à competitividade. Entre os participantes estão executivas ligadas a grandes empresas do setor, como Rabobank, Amaggi e John Deere.
Além dos temas econômicos e de gestão, o encontro também dedicará espaço às discussões sobre saúde mental, inteligência emocional e qualidade de vida das lideranças rurais. A proposta é ampliar o debate sobre os desafios enfrentados por profissionais que atuam em um setor cada vez mais exposto a oscilações de mercado, riscos climáticos e processos sucessórios.
Organizadores do evento avaliam que o crescimento da participação feminina nas decisões estratégicas das empresas rurais reflete uma transformação estrutural do agronegócio brasileiro. Mais do que ampliar presença no campo, as mulheres assumem papel crescente na definição das estratégias de negócios que sustentam a competitividade do setor.
Serviço
Evento: Encontro Elas no Campo 2026
Data: 17 e 18 de junho de 2026
Local: Cenarium Rural
Endereço: Rodovia Helder Cândia (MT-010), km 6, Cuiabá (MT)
Público: Produtoras rurais, empresárias, executivas, consultoras, estudantes e profissionais ligados ao agronegócio
Informações e inscrições: Elas no Campo 2026
Destaques da programação:
- Geopolítica e mercado global, com Marcos Troyjo;
- Reforma tributária e impactos para o produtor rural;
- Governança e sucessão familiar no agronegócio;
- Liderança feminina e gestão de negócios;
- Inovação, tecnologia e ESG;
- Saúde mental, inteligência emocional e bem-estar no campo.
Fonte: Pensar Agro
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