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Carnaval no Recife e em Olinda começa hoje; confira a programação

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A partir desta quinta-feira (12), Pernambuco já respira Carnaval. Em Olinda, epicentro da folia, a abertura dos festejos de Momo começa às 16h com o cortejo de brincantes “Tá Todo Mundo Aqui”, que vai desfilar pelas ladeiras do sítio histórico ao som da orquestra Henrique Dias. A programação de shows tem início às 18h30, no polo Erasto Vasconcelos, que fica na Praça do Carmo, onde está montado o palco Pernambuco Meu País. A animação deste primeiro dia de folia fica por conta de artistas como Priscila Senna, Alceu Valença e Nação Zumbi.

Com o tema “A Gente É Festa”, o Carnaval de Pernambuco homenageia este ano os cantores João Gomes e Nena Queiroga, além do Maestro Duda e Chico Science (em memória). Uma das maiores representantes do frevo pernambucano, Nena Queiroga, fala da felicidade de ser homenageada:

“Foi muito importante para mim quando eu recebi a notícia dessa homenagem, porque mais uma vez estou honrando o nome da minha mãe e de todas as cantoras, principalmente de frevo e de carnaval. Reverencio mais, mais ainda,  esse fato de receber essa homenagem me dá isso e, além de tudo, servir de inspiração para outras cantoras como minha filha, que está seguindo aí a estrada, e tantas outras cantoras maravilhosas que se eu fosse citar o nome aqui, posso esquecer alguém, mas todas elas que eu fico muito feliz de ver trilhando esse caminho. Então essa homenagem foi de extrema importância porque é reconhecimento e prestígio para uma mulher, compositora e cantora”.

Na capital pernambucana, a abertura do Carnaval será marcada pelo espetáculo Tumaraca, que reúne 13 nações de maracatu em uma apresentação marcante no palco do Marco Zero, principal polo de animação do Carnaval do Recife. Por lá, hoje também se apresentam nomes como João Gomes, com o projeto Dominginhos e Lenine. O Carnaval do Recife vai contar com 13 polos de animação espalhados por toda a cidade e mais de três mil apresentações gratuitas.


Fonte: EBC Cultura

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Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)

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DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si

anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda

  

Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.

Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento

“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”

A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.

Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.

Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.

Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.


Fonte: EBC Cultura

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