Agricultura
Produtores fazem protesto contra o endividamento rural e exigem providências
Agricultura
Uma manifestação que reuniu mais de duas mil pessoas em frente às sedes do Ministério da Agricultura (Mapa) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), nesta quarta-feira (10.12), em Porto Alegre, no Rio Grade do Sul, acabou se transformando em um símbolo da insatisfação de produtores rurais em todo o país.
Organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS), a mobilização reacendeu o debate a cerca de um problema que se espalha pelas principais regiões produtoras: o avanço do endividamento, a dificuldade de acesso ao seguro rural e a perda de renda em cadeias como leite, trigo e arroz.
A ação levou às ruas reivindicações consideradas urgentes pelos produtores. A entidade afirma que as medidas apresentadas pelo governo federal até agora não aliviam a pressão financeira que se acumulou nos últimos anos, marcada por custos elevados, frustração de safra, dificuldades de comercialização e margens cada vez mais comprimidas. Mesmo com ações pontuais, como renegociações e linhas emergenciais, o impacto na ponta tem sido limitado — quadro que, segundo lideranças do setor, pode se agravar em 2025 caso não haja respostas estruturais.
Durante a manhã, representantes dos agricultores foram recebidos pelo superintendente do Mapa no estado, José Cleber Souza, pelo adjunto do MDA, Vinícius Pasquotto, e pelo superintendente da Conab, Glauto Melo.
O governo informou que publicará portarias interministeriais para viabilizar leilões de compra de trigo e arroz, além de reforçar recursos para AGF, subvenção ao prêmio do seguro rural e instrumentos de apoio ao escoamento. Somente para o arroz, em 2024, foram destinados R$ 1,3 bilhão em COV, AGF, PEP e Pepro. Também foram confirmados R$ 67 milhões para operações ligadas ao trigo e negociados R$ 100 milhões voltados ao leite.
A manifestação seguiu pela tarde até a Praça da Matriz e a Assembleia Legislativa, onde o governador Eduardo Leite se comprometeu a ampliar ações estaduais e apoiar o setor nas negociações com o governo federal.
NACIONAL – O episódio ampliou o debate nacional justamente num período em que o endividamento vem ganhando proporções inéditas, especialmente entre pequenos e médios produtores. O presidente da presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação de Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), alertou que o tema não pode mais ser tratado como um conjunto de ajustes pontuais.
“O Brasil precisa lidar de frente com o endividamento rural. Não estamos falando apenas de números ou planilhas, mas de famílias inteiras que dependem da renda do campo para sobreviver. Cada atraso nas decisões, cada programa mal calibrado, significa mais propriedades descapitalizadas e mais produtores saindo da atividade”, afirmou.
Para Rezende, o que se observa no Rio Grande do Sul é apenas a face mais visível de um problema que também atinge produtores de grãos do Centro-Oeste, pecuaristas do Nordeste e agricultores familiares do Sudeste. “O movimento de Porto Alegre mostra que o problema é nacional. O agricultor familiar do Sul enfrenta os mesmos gargalos do médio produtor do Centro-Oeste ou do pequeno pecuarista do Nordeste. Por isso temos insistido para que o governo apresente um plano de reequilíbrio amplo, transparente e com impacto imediato”.
Ele também reforçou que, apesar dos anúncios recentes, as renegociações ainda não chegam na velocidade e na profundidade necessárias. “Vimos alertando há meses que as renegociações anunciadas não chegam na ponta. O produtor está pedindo algo simples: condições reais de pagamento. O que existe hoje são prorrogações insuficientes, muitas vezes desconectadas da realidade produtiva e climática de cada região”, disse.
Segundo ele, fortalecer o seguro rural e garantir previsibilidade nos preços mínimos são pilares centrais para dar estabilidade aos produtores. “É preciso reforçar o seguro rural, dar previsibilidade aos preços mínimos, ampliar a subvenção e destravar os instrumentos de apoio à comercialização. Sem isso, o produtor fica à mercê do mercado e do clima. Não existe agro forte sem política agrícola forte”, disse Isan.
“O que está em jogo não é apenas o leite, o trigo ou o arroz do Rio Grande do Sul. É a capacidade de o agro brasileiro continuar produzindo, gerando empregos e garantindo segurança alimentar ao país e ao mundo”, concluiu o Presidente.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Agronegócio brasileiro movimenta R$ 446 bilhões e bate recorde no semestre
As exportações do agronegócio brasileiro somaram o equivalente a R$ 446 bilhões no primeiro semestre de 2026, maior valor já registrado para o período. O resultado representa crescimento de 6,2% em relação aos seis primeiros meses de 2025 e foi impulsionado principalmente pela soja, pelas carnes e pelo algodão.
Os embarques do setor responderam por 47,1% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior entre janeiro e junho. A participação, porém, ficou abaixo dos 49,5% registrados um ano antes, porque as exportações dos demais setores avançaram 16,7% no período.
Somente em junho, as vendas externas do agro alcançaram R$ 85 bilhões, alta de 14% na comparação com o mesmo mês de 2025 e novo recorde para o mês. O crescimento resultou da combinação entre aumento de 7,2% no volume embarcado e valorização de 6,4% dos preços médios.
As importações de produtos do agronegócio ficaram em aproximadamente R$ 51,2 bilhões no semestre, queda de 1,1%. Com isso, o setor acumulou superávit de cerca de R$ 394,2 bilhões. Esse cálculo não inclui insumos utilizados na produção, como fertilizantes e defensivos agrícolas, conforme os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), elaborados com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O complexo soja liderou a pauta, com R$ 178,7 bilhões em exportações e participação de 40,1% no total do agronegócio. Considerada isoladamente, a soja em grão gerou R$ 149 bilhões e respondeu por aproximadamente um terço da receita externa do setor.
O Brasil embarcou 69,6 milhões de toneladas de soja entre janeiro e junho, volume 7,1% superior ao do mesmo período de 2025 e recorde para um primeiro semestre. O preço médio aumentou 7%, alcançando o equivalente a R$ 2.144 por tonelada. A China recebeu cerca de 69% do grão exportado.
O farelo de soja também bateu recorde, com 12,7 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 11,4%. A receita chegou a R$ 23,6 bilhões, alta de 14,8%. O avanço dos derivados ocorreu em meio ao aumento do processamento doméstico da oleaginosa.
As carnes formaram o segundo maior grupo da pauta exportadora, com receita de R$ 90,1 bilhões e participação de 20,2%. A carne bovina in natura respondeu por R$ 46,6 bilhões, alta de 38,5%. O volume chegou a 1,5 milhão de toneladas, crescimento de 16,2%.
O desempenho da carne bovina foi sustentado tanto pelo aumento dos embarques quanto pela valorização de aproximadamente 19% no preço médio. A China concentrou 52% das compras, enquanto os Estados Unidos responderam por 12%.
As exportações de carne de frango in natura alcançaram R$ 25,6 bilhões, avanço de 17,8%, com 2,5 milhões de toneladas embarcadas. O volume aumentou 13,7%. A carne suína também atingiu recorde: R$ 8,7 bilhões em receita e 683,8 mil toneladas exportadas, altas de 7,3% e 8,5%, respectivamente.
O algodão gerou R$ 14,3 bilhões em vendas externas, crescimento de 12,5%. Os embarques avançaram 21,4% e chegaram a 1,8 milhão de toneladas. A diferença entre o aumento do volume e da receita ocorreu porque o preço médio da fibra caiu cerca de 7%.
O milho rendeu aproximadamente R$ 8,7 bilhões no semestre, alta de 20,6%. Foram exportadas quase 7,9 milhões de toneladas, crescimento de 22%, favorecido principalmente pelo avanço das compras do Vietnã e do Egito.
A expansão da soja, das carnes e do algodão compensou as perdas registradas por outras cadeias. A receita com açúcar bruto caiu 24,5%, reflexo principalmente da redução de 21,9% no preço médio e de uma pequena retração nos embarques.
O etanol apresentou a maior queda em volume. As exportações totalizaram 349 mil metros cúbicos, 53% abaixo do primeiro semestre de 2025. O preço médio subiu 7%, mas não foi suficiente para compensar a redução das vendas.
O café verde também perdeu espaço. Os embarques recuaram 17%, para 930 mil toneladas, enquanto a receita diminuiu na mesma proporção. O preço médio apresentou queda de aproximadamente 1%.
A China permaneceu como principal destino dos produtos brasileiros, com compras equivalentes a R$ 156,2 bilhões, alta de 10,5%. O país respondeu por 35,1% das exportações do agronegócio, puxadas principalmente por soja, carne bovina e algodão.
A União Europeia ocupou a segunda posição, com R$ 64,5 bilhões e crescimento de 4,6%. O Oriente Médio comprou R$ 29,2 bilhões, avanço de 4%. Juntos, os dois mercados concentraram 21% da receita externa do agro.
As vendas para os Estados Unidos seguiram na direção contrária e caíram 25,1%, para R$ 25,6 bilhões. A participação norte-americana recuou de 8% para 6%, principalmente pela redução das receitas com café verde, suco de laranja e sebo bovino. O crescimento das exportações de carne bovina evitou uma retração ainda maior.
Os valores originalmente apurados no comércio internacional foram convertidos pela cotação de R$ 5,12, referência de 10 de julho.
Fonte: Pensar Agro
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