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Botafogo vence Grêmio e garante vaga na Libertadores 2026
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O Botafogo carimbou seu passaporte para a Copa Libertadores de 2026 neste sábado (22.11), ao vencer o Grêmio por 3 a 2, em uma partida emocionante no Estádio Nilton Santos, válida pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com o triunfo, o Glorioso alcança a quinta colocação na tabela, somando 58 pontos, enquanto o Tricolor Gaúcho permanece com 43, na 12ª posição.
O jogo
A partida começou com o Botafogo tentando impor seu ritmo, mas encontrando uma marcação gremista bem postada. No entanto, a eficiência alvinegra se fez presente logo na primeira grande oportunidade. Aos 14 minutos, Savarino acertou o travessão, e no rebote, Artur tentou, Tiago Volpi defendeu, mas Cuiabano estava atento para empurrar a bola para o fundo das redes.
O gol não abalou o ímpeto do Botafogo, que rapidamente ampliou sua vantagem. Aos 18 minutos, Artur recebeu um passe preciso na área, driblou Gustavo Martins com habilidade e finalizou sem chances para o goleiro Tiago Volpi, marcando o segundo do Glorioso. Mesmo com a vantagem, o Alvinegro manteve o controle do jogo, e Savarino ainda assustou a defesa gaúcha com um chute que raspou a rede pelo lado de fora aos 32 minutos. O Grêmio, por sua vez, só conseguiu levar perigo em um chute de André que passou por cima do travessão.
Segundo tempo
A volta do intervalo trouxe um Grêmio mais agressivo e determinado a buscar o resultado. Logo aos dois minutos da etapa final, a persistência gremista foi recompensada: André aproveitou um cruzamento e cabeceou com precisão para diminuir o placar. O gol animou os visitantes, que quase empataram aos 12 minutos em um chute de Cuéllar de fora da área, defendido brilhantemente por Léo Linck.
Apesar da pressão gaúcha, o Botafogo conseguiu equilibrar as ações e criou novas oportunidades. Aos 36 minutos, Cuiabano fez uma grande jogada individual e chutou para mais uma boa defesa de Tiago Volpi. No lance seguinte, a bola parada se mostrou decisiva para o Alvinegro. Após cobrança de escanteio, David Ricardo escorou e Marçal, de cabeça, mandou para o gol, marcando o terceiro do Botafogo e garantindo uma folga no placar.
Nos instantes finais, o Grêmio se lançou com tudo ao ataque e conseguiu diminuir novamente aos 44 minutos, com Carlos Vinícius aproveitando um cruzamento e balançando as redes. Contudo, o tempo era escasso para uma reação maior, e o Botafogo conseguiu administrar o resultado até o apito final, celebrando a importante vitória e a vaga na Libertadores.
Próximos desafios
Ambas as equipes já voltam a campo em breve pelo Campeonato Brasileiro:
Botafogo:
- Adversário: Corinthians (36ª rodada do Campeonato Brasileiro)
- Data e Horário: 30 de novembro (domingo), às 16h (de Brasília)
- Local: Neo Química Arena, São Paulo
Grêmio:
- Adversário: Palmeiras (36ª rodada do Campeonato Brasileiro)
- Data e Horário: 25 de novembro (terça-feira), às 21h30 (de Brasília)
- Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre
FICHA TÉCNICA
Botafogo 3 x 2 Grêmio
Competição: 35ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Estádio Nilton Santos, Rio de Janeiro
Data: 22 de novembro de 2025 (sábado)
Horário: 19h30 (de Brasília)
Arbitragem:
- Árbitro: Felipe Fernandes de Lima
- Assistentes: Daniella Coutinho Pinto e Celso Luiz da Silva
- VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral
Cartões Amarelos:
- Botafogo: Vitinho, Savarino
- Grêmio: Noriega, Marlon, Gustavo Martins, Dodi
Gols:
- Botafogo:
- Cuiabano, aos 15′ do 1ºT
- Artur, aos 19′ do 1ºT
- Marçal, aos 37′ do 2ºT
- Grêmio:
- André, aos 3′ do 2ºT
- Carlos Vinícius, aos 44′ do 2ºT
Botafogo:
- Goleiro: Léo Linck
- Defensores: Vitinho, Alexander Barboza, David Ricardo e Cuiabano
- Meio-campo: Danilo (Newton), Marlon Freitas e Savarino (Montoro)
- Atacantes: Artur (Marçal), Kadir (Arthur Cabral) e Correa (Barrera)
- Técnico: Davide Ancelotti
Grêmio:
- Goleiro: Thiago Volpi
- Defensores: Marcos Rocha, Gustavo Martins, Noriega (Viery) e Marlon
- Meio-campo: Dodi, Cuellar e Edenilson (Aravena)
- Atacantes: Alysson (Pavón), Lucas Esteves (Cristaldo) e André (Carlos Vinícius)
- Técnico: Mano Menezes
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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