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Grêmio encerra jejum, bate o Vasco na Arena e respira no Brasileirão
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Em uma noite de reencontro com a vitória, o Grêmio fez o dever de casa e superou o Vasco por 2 a 0 nesta quarta-feira, na Arena, em jogo válido pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com gols de Carlos Vinícius e Amuzu, a equipe gaúcha encerrou uma sequência de três jogos sem vencer e ganhou tranquilidade na tabela, ao mesmo tempo em que aprofundou a crise do time carioca, que amarga sua quarta derrota consecutiva.
O resultado impulsiona o Grêmio para a 11ª posição, com 43 pontos, abrindo uma distância mais segura da zona de rebaixamento. O Vasco, por sua vez, permanece com 42 pontos, caindo para o 12º lugar e vendo o sinal de alerta acender na reta final da competição.
O jogo
Desde o primeiro minuto, o Grêmio mostrou sua intenção de pressionar. Cristaldo quase abriu o placar antes mesmo do relógio completar 60 segundos, mas parou em uma defesa espetacular de Léo Jardim, que se tornaria o grande nome do Vasco na partida. Apesar de um susto em um cabeceio de Puma Rodríguez, o Tricolor manteve o controle e empilhou chances, principalmente com Amuzu e novamente com Cristaldo, mas Léo Jardim estava intransponível.
Após a pressão inicial, o jogo caiu em um ritmo mais lento e com muitos erros de passe de ambos os lados, levando a um primeiro tempo sem gols, apesar da superioridade gremista.
Segundo Tempo
Na volta do intervalo, a postura ofensiva do Grêmio finalmente surtiu efeito. Aos cinco minutos, Carlos Vinícius aproveitou um cruzamento na área, dominou com categoria e fuzilou para o fundo da rede, quebrando a resistência do goleiro vascaíno e inaugurando o marcador.
Mesmo em vantagem, o time da casa não recuou. O Vasco, precisando reagir, até tentou criar perigo com Vegetti e Rayan, mas parou em boas intervenções do goleiro Tiago Volpi. O golpe final veio aos 38 minutos: em um contra-ataque veloz, Amuzu foi lançado em profundidade e tocou com frieza na saída de Léo Jardim para marcar o segundo e decretar a vitória gaúcha.
Nos minutos finais, coube ao Grêmio apenas administrar a excelente vantagem, garantindo três pontos essenciais para dar paz à sua torcida e complicar ainda mais a situação do Vasco no campeonato.
Próximos Jogos
Grêmio:
- Adversário: Botafogo
- Data e Horário: 22 de novembro (sábado), às 19h30
- Local: Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
Vasco:
- Adversário: Bahia
- Data e Horário: 23 de novembro (domingo), às 16h
- Local: Arena Fonte Nova, em Salvador (BA)
FICHA TÉCNCIA
GRÊMIO 2 X 0 VASCO
- Competição: Campeonato Brasileiro – 34ª rodada
- Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre (RS)
- Data: 19 de novembro de 2025
- Horário: 21h30 (de Brasília)
Arbitragem
- Árbitro: Raphael Claus (SP)
- Assistentes: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Felipe Alan Costa de Oliveira (MG)
- VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO)
Cartões
- Amarelos: Wagner Leonardo, Pavón, Arthur e Alysson (Grêmio); Lucas Piton, Coutinho e Cauan Barros (Vasco)
Gols
- Grêmio: Carlos Vinícius (aos 6′ do 2ºT) e Amuzu (aos 39′ do 2ºT)
GRÊMIO Volpi; Marcos Rocha (João Lucas), Gustavo Martins, Wagner Leonardo e Marlon; Arthur (Camilo) e Dodi; Pavón, Cristaldo (Cuéllar) e Amuzu (Lucas Esteves); Carlos Vinícius (André Henrique). Técnico: Fernando Diniz
VASCO Léo Jardim; Pumita, Hugo Moura, Robert Renan e Lucas Piton (Victor Luis) (Leandrinho); Cauan Barros (Thiago Mendes) e Tchê Tchê; Rayan, Coutinho (Matheus França), Nuno Moreira (David) e Vegetti (GB). Técnico:Fernando Diniz
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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