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Novembro Azul: romper o silêncio que adoece

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*Por Mara Nasrala

O mês de novembro ganhou um tom especial de azul para lembrar algo que ainda é, para muitos homens, um tabu, ou seja, o cuidado com a própria saúde. A campanha do Novembro Azul vai além da conscientização sobre o câncer de próstata, é um chamado à prevenção e, principalmente, à quebra de paradigmas que afastam os homens dos consultórios médicos.

Durante anos, a masculinidade foi associada à força, à resistência e à ideia equivocada de que procurar ajuda seria um sinal de fraqueza. Essa cultura do “aguentar firme” cobra um preço alto. Segundo o Ministério da Saúde, os homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres, em grande parte devido à negligência de exames de rotina e demorarem a buscar atendimento.

O câncer de próstata, foco da campanha, é o segundo tipo mais comum entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Quando detectado precocemente, o índice de cura ultrapassa 90%. Mas o medo, a vergonha e a desinformação ainda são barreiras que impedem o diagnóstico a tempo.

Romper esse ciclo exige mais do que posts nas redes sociais e iluminação de prédios públicos, exige mudança de comportamento e diálogo. É preciso falar abertamente sobre saúde masculina, incentivar consultas regulares e reforçar que o cuidado não diminui ninguém; ao contrário, fortalece.

O Novembro Azul também deve nos lembrar de atentar para a saúde integral do homem, corpo e mente caminham juntos. A depressão, a ansiedade e o suicídio, que têm índices preocupantes entre os homens, são faces do mesmo problema, o silenciamento. Falar sobre sentimentos, buscar apoio psicológico e construir redes de afeto são atitudes tão importantes quanto fazer exames preventivos.

Na Help Vida, acreditamos que cuidar é um ato de amor, com o outro e consigo mesmo. Por isso, reforçamos neste mês o nosso compromisso com a promoção da saúde, a informação de qualidade e o incentivo a hábitos que salvam vidas. Cuidar-se é um gesto simples, mas poderoso.

*Mara Nasrala é Diretora Executiva da Help Vida.

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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