Cultura
Mostra Internacional de Cinema de SP divulga programação da 49º edição
Cultura
A tradicional Mostra Internacional de Cinema de São Paulo divulgou a programação completa da edição de número 49, que acontece entre os dias 16 e 30 de outubro. 

Neste ano, o festival traz mais de 370 títulos, entre longa-metragens, curtas e séries, de 80 países, em mais de 50 espaços da capital paulista.
O evento reúne vários filmes inéditos no Brasil, que se destacaram em premiações internacionais, como Pai Mãe Irmão, de Jim Jarmusch – que venceu o Leão de Ouro no Festival de Berlim, e Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi – que conquistou a Palma de Ouro em Cannes.
O público também vai ter a oportunidade de assistir a 15 filmes indicados por seus países para disputar uma vaga de melhor filme internacional no Oscar do ano que vem. Entre eles, está o brasileiro O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.
Além das estreias, a mostra também exibe filmes restaurados, como os brasileiros Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, e Garota de Ipanema, de Leon Hirszman.
A programação inclui ainda uma sequência de filmes que abordam questões relacionadas à causa Palestina, como Era uma vez em Gaza, de Arab e Tarzan Nasser, e Palestina 36, de Annemarie Jacir.
Entre as estreias mundiais, destaque para a cinebiografia de Mauricio de Sousa, com direção de Pedro Vasconcelos, e O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende, adaptação do livro de Valter Hugo Mãe, escritor português que assina o cartaz desta edição da mostra.
A abertura da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo acontece na quarta-feira, dia 15 de outubro, com a exibição do filme Sirât, de Oliver Laxe, que venceu o prêmio do júri do Festival de Cannes.
A venda dos pacotes de ingressos começa no sábado dia 11 de outubro pelo aplicativo do evento. Os ingressos avulsos ficam disponíveis para compra quatro dias antes de cada sessão e também pelo aplicativo ou pelo site da Velox, plataforma oficial de ingressos, sempre a partir das 9 horas da manhã.
Programação completa no site mostra.org.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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