Agricultura
Último fim de semana de inverno chega com alerta climático para a safra de verão
Agricultura
O inverno de 2025 se despede no Brasil neste fim de semana. Na segunda-feira (22.09),às 15h19, o equinócio marca a entrada oficial da primavera. Mas, antes da estação das flores, o campo já recebe sinais de preocupação.
Boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com CPTEC/INPE e Funceme, aponta que os próximos meses devem ser marcados por déficit hídrico expressivo em grande parte do território, com impacto direto sobre culturas em maturação e sobre o início do plantio da safra de verão.
O alerta climático foi apresentado durante encontro da Conab em Brasília e está relacionado ao rápido resfriamento das águas do Pacífico, condição que pode indicar a formação de um novo episódio de La Niña ainda neste ano.
Regiões em atenção
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Norte – Previsão de chuvas abaixo da média em áreas do Pará e Amazonas, com déficits acima de 100 mm já em setembro. Acre, Rondônia e sul do Amazonas podem enfrentar solo excessivamente seco, afetando sobretudo a agricultura familiar.
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Nordeste – Cenário de seca severa em Maranhão, Piauí, Ceará e interior da Bahia. A umidade relativa deve permanecer abaixo de 30%, prejudicando lavouras não irrigadas.
- Sudeste – Norte de Minas, oeste de São Paulo e norte do Espírito Santo enfrentam risco de escassez hídrica, com reflexos sobre o café e o início do ciclo de grãos. A reposição da umidade só deve ocorrer em novembro.
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Sul – Situação oposta: previsão de chuvas acima da média, com solos úmidos e condições favoráveis às culturas de inverno, como trigo, aveia e cevada.
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Centro-Oeste – Temperaturas elevadas e solo sem reposição adequada de água até outubro. No leste de Mato Grosso e oeste de Goiás, o risco é de perdas no milho em maturação e atraso no plantio da soja.
Ainda no Centro-Oeste, os sinais de crise já resultaram em medidas emergenciais. O governo de Mato Grosso do Sul prorrogou até 30 de novembro o Estado de Emergência Ambiental em todo o território. O decreto se baseia em dados do Cemtec, que registrou mais de 90 dias sem chuvas significativas em municípios como Porto Murtinho, além de temperaturas superiores a 38 °C e índices de umidade abaixo de 15%.
A situação é descrita como um “triângulo do fogo”, em que calor, seca e ar extremamente seco elevam o risco de queimadas. O decreto permite a dispensa de licitação para compras emergenciais de bens e serviços de prevenção e combate a incêndios.
A irregularidade climática coloca em xeque o calendário agrícola. Em áreas de grãos, o atraso na reposição da umidade pode postergar a semeadura da soja, principal cultura da safra de verão, enquanto regiões cafeeiras temem perda de intensidade na florada. No Norte e Nordeste, a agricultura familiar é a mais vulnerável, com risco de perda de renda por falta de irrigação adequada.
Já no Sul, a boa notícia é a expectativa de uma safra robusta de trigo e cevada, beneficiada pelo excesso de umidade.
Especialistas recomendam que produtores adotem estratégias de manejo hídrico e planejem o escalonamento do plantio. O avanço de uma possível La Niña pode intensificar ainda mais o contraste entre regiões secas e chuvosas, exigindo atenção redobrada para reduzir perdas produtivas.
A chegada da primavera, portanto, não traz apenas flores: marca também o início de uma fase decisiva para o agro brasileiro, que terá de lidar com um cenário climático desafiador já no arranque da nova safra.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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