Cultura
Fãs despedem-se de Preta Gil em velório no Theatro Municipal no RJ
Cultura
O grupo de fãs de Preta Gil veio de Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, para se despedir da artista cantando. Muito emocionada, a comerciante Isabela Prudêncio descreveu o quanto Preta Gil representava para ela.

“Eu estou muito triste, muito triste mesmo dessa perda e todas as vezes que eu canto a música dela, me dói. Ela me representa, né? A mulher preta, a mulher gorda, a mulher homossexual – bissexual, no caso dela. Ela representa a alegria do Carnaval. Ela representa a mulher resistente, a mulher forte. Da mesma forma que eu acordava para ir para os blocos dela, para comemorar a vida da Preta, hoje eu venho aqui para prestar minha última homenagem.”
Outros levaram cartazes com dizeres agradecendo pela força de viver que a cantora tinha. Já a professora aposentada Lilian Guedes, moradora de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, e que também foi uma das primeiras da fila, disse que Preta Gil ensinou que é possível lutar e acreditar sempre que tudo é possível.
“É uma pessoa incrível, é uma perda muito grande para todos nós. Então é um sentimento muito de muita tristeza, que não ninguém pensava que ela fosse tão rápido.”
Turistas de Santo Antônio de Pádua, no norte do estado, e de Guarapari, no Espírito Santo, interromperam o passeio pelo centro do Rio para se despedir de Preta Gil, como relatou Deborah Fernandes.
“Ela teve muita vontade de viver, tanto que ela mostrou isso nesses últimos momentos da vida dela, né? De muita força, muita garra na luta contra a doença. Essa doença é bem difícil, mas ela lutou com muita coragem e que Deus guie o caminho dela daqui para frente agora.”
Além de centenas de fãs e admiradores que aguardaram mais de três horas para dar adeus à Preta Gil, jornalistas de todo o país dividiam espaço nas escadarias do Theatro Municipal para registrar as homenagens.
Cultura
Ao poeta, poesia: amigos se despendem de Luis Turiba neste sábado (29)
DESACONTESSÊNCIAS

desaconteci
(mentavelmente)
tudo acontece para
desacontecer em si
anoitece para amanhecer
nascer viver crescer morrer
tecer escrituras em silêncios
semânticas em pura seda
Luis Turiba desaconteceu na madrugada de 26 de agosto, em Salvador, aos 76 anos. Poeta, ativista cultural, jornalista. Nascido no Recife, em 1950, Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma ampla obra, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais.
Seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, foi lançado em 1977. No Rio de Janeiro, pra onde se mudou ainda jovem, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.
Amigo de Turiba desses tempos de início de Brasília, o poeta Nicolas Behr conta que conversou com o amigo na véspera do falecimento
“Não esperava essa notícia. Grande agitador cultural, um homem de ideias e de realizações, que fazia poeta, jornalista, atuante, ativo, presente. Editor da revista Brica Brac, né? Essa revista que nos anos 80 entrou para a história da literatura a história das história das revistas literárias brasileiras do século passado. Grande Turiba, só temos que celebrar sua memória, sua eterna presença entre nós.”
A revista cultural Bric-a-Brac foi editada entre 1985 e 2022. A publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como Caetano Veloso e Paulinho da Viola; Nise da Silveira; Manoel de Barros, entre outras personalidades.
Em sua trajetória, passou pela assessoria de comunicação do ministério da Cultura, que soltou nota lamentando a morte de Turiba e afirmando que o jornalista “participou de momentos importantes da história do próprio MinC”.
O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembrou que “além de sua escrita afiada nas redações, Turiba foi um símbolo vivo da resistência democrática que marca a história da categoria. Militante histórico, ele sofreu severa perseguição política, prisão e tortura durante o regime militar”.
Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.
Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Viveu os últimos anos entre o Rio de Janeiro, Salvador e Brasília.
Neste sábado, amigos prestam a última homenagem no Beirute, tradicional restaurante de Brasília. Reduto de muitos encontros e acontecências.
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