Várzea Grande
Catadores transformam recicláveis em sustento com apoio da prefeitura de Várzea Grande
Várzea Grande
TAC assinado em 2022, entre Ministério Público, Defensoria e Prefeitura garante dignidade, renda e impacto ambiental positivo para centenas de famílias da cidade
Após o encerramento definitivo das atividades no antigo lixão de Várzea Grande, uma nova realidade começou a ser construída, pautada na dignidade, no trabalho coletivo e, principalmente, na responsabilidade ambiental. Essa mudança teve início com a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em 10 de maio de 2022, firmado entre o Ministério Público Estadual (MPMT), a Defensoria Pública e a Prefeitura de Várzea Grande. A partir desse acordo, foram estabelecidas parcerias fundamentais com associações e cooperativas formadas por catadores de materiais recicláveis, um marco que consolidou o encerramento das atividades no lixão do Município. Mas levou tempo para que o TAC fosse de fato posto em prática, impactando de forma social e ambiental.
Ao longo do tempo, foram realizados diversos encontros, muitos deles marcados por desafios e desencontros. No entanto, em 2025, a atual gestão assumiu de forma plena e responsável o compromisso com os catadores de Várzea Grande, fortalecendo a parceria e reafirmando a importância da inclusão social e do desenvolvimento sustentável.
Como frisa a prefeita Flávia Moretti (PL), o objetivo é claro: “garantir o destino correto aos resíduos sólidos urbanos e, simultaneamente, oferecer sustento a dezenas de famílias em situação de vulnerabilidade”.
Atualmente, três associações — ASMATS, CATAUNI e ASSCAVAG — atuam na coleta seletiva formal no Município. E esse trabalho abrange a coleta porta a porta, passando pela triagem, prensagem e comercialização dos materiais recicláveis. Essa atividade essencial acontece com o apoio da Prefeitura, que oferece recursos fundamentais para o aluguel dos barracões, pagamento de combustível, motoristas e aluguel de caminhões, contrapartidas que têm sido cruciais para manter a operação e estruturar as associações.
A área de atuação foi dividida da seguinte forma: ASMATS cobre a região norte, ASSCAVAG toda a região oeste e a CATAUNI as regiões leste e centro-sul. Todo o trabalho é acompanhado por uma equipe técnica da Prefeitura, composta por engenheiros responsáveis por monitorar a coleta e conduzir ações de conscientização ambiental, visitando residências para explicar a importância da separação do lixo e da preservação do meio ambiente.
Cidinha Nascimento, presidente da ASMATS, destaca que a associação já conta com mais de 50 associados e, apesar da falta de maquinário adequado, a parceria com a Prefeitura tem sido fundamental para manter a estrutura operacional. “Com a ajuda do Município, conseguiremos adquirir novos equipamentos em breve, o que vai melhorar muito nossa produção e a renda dos associados”, afirma. Ela também destaca que o aluguel do barracão, caminhão e os custos com combustível são cobertos pela contrapartida municipal.
Já Zito Valdomiro de Campos, presidente da CATAUNI, enfrenta o desafio de manter a associação memo com um número reduzido de associados: Atualmente, apenas 10!, devido às limitações financeiras. “O recurso do TAC ajuda a cobrir custos básicos como aluguel, combustível e motorista, mas ainda não conseguimos oferecer um salário mais digno, o que limita nosso crescimento”, explica.
Por sua vez, Valquiria Pereira de Barros, catadora e formanda em Direito, lidera a ASSCAVAG, que se destaca não só pela coleta, mas também pelo forte trabalho de educação ambiental junto à comunidade. “Os moradores já procuram nossa associação para descartar o lixo corretamente, o que mostra o impacto real do nosso trabalho na conscientização da população”, comemora. Ela também agradece o apoio da Prefeitura, que tem permitido à associação crescer, melhorar as condições de trabalho e garantir um retorno financeiro mais justo aos catadores.
A prefeita Flavia Moretti reforça o compromisso da gestão com essa iniciativa: “Estamos muito orgulhosos do que conquistamos com essa parceria. Hoje, mais de 100 pessoas diretamente ligadas às associações de catadores conseguem sustentar suas famílias com a reciclagem. Essa é uma vitória da dignidade, do trabalho coletivo e da responsabilidade ambiental. A Prefeitura continuará apoiando essas iniciativas, porque sabemos que transformar resíduos em renda é transformar vidas e construir uma cidade mais justa e sustentável para todos.”
O resultado desse esforço já é sentido nas ruas. Selma da Silva, moradora do bairro Cidade de Deus, relata: “Depois do trabalho da ASSCAVAG no nosso bairro, aprendi a separar o lixo corretamente e vi como é importante o que eles fazem. A coleta melhorou muito.”
Apesar dos avanços, o desafio ainda é grande. Apenas 20% dos municípios de Mato Grosso realizam coleta seletiva, um índice abaixo da média nacional. Mesmo assim, as associações seguem firmes, movidas por trabalho, consciência e esperança.
O secretário de Serviços Públicos e Mobilidade Urbana, Lucas Ductievicz, essa história mostra que, com vontade política, parcerias institucionais e o esforço coletivo de quem acredita na transformação, é possível gerar impacto social, ambiental e econômico a partir do que antes era descartado. “E, principalmente, resgatar a dignidade de quem vivia à margem da sociedade”.
Várzea Grande
Abilio provoca universitários e professores e diz que ajudam campanha de Flávio
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), direcionou críticas a estudantes e professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) durante o lançamento da Casa 22, realizado na terça-feira (13), na capital. No evento de mobilização em apoio a Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o prefeito usou provocações para se referir a grupos ligados à esquerda.
Ao desafiar integrantes das universidades públicas a fazer campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Abilio mencionou maconha, cocaína e a imagem do revolucionário Che Guevara.
“Vai com o seu baseado, com suas drogas, vai com a maconha, vai com a cocaína, vai com a camisa do Che Guevara, vai com toda a porcaria que tá instalada dentro das nossas universidades públicas, às ruas pedir voto”, declarou.
Na sequência, o prefeito afirmou que manifestações de estudantes e professores identificados com a esquerda poderiam acabar favorecendo a candidatura adversária.
“Esses alunos, esses professores militantes são os melhores cabos eleitorais para o Flávio Bolsonaro”, disse.
A fala ocorreu em meio à articulação de lideranças políticas e apoiadores da direita para ampliar a votação de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso no segundo turno. A Casa 22 foi organizada em Cuiabá para concentrar atividades e mobilizações da campanha no estado.
Durante o discurso, Abilio também abordou questões relacionadas à segurança pública, mencionando integrantes de facções criminosas e ameaças contra lideranças religiosas. Na ocasião, defendeu que pessoas envolvidas nessas situações não contem com apoio do governo estadual e citou uma ação da Polícia Militar contra um suspeito que, segundo ele, teria feito ameaças.
O prefeito ainda pediu empenho dos apoiadores para ampliar a votação do candidato do PL em Mato Grosso. Na avaliação dele, o estado poderia contribuir com mais 200 mil votos no segundo turno. “Cada voto conta”, afirmou, ao estimar que a diferença nacional entre Flávio Bolsonaro e Lula poderia ficar entre 2 milhões e 3 milhões de votos.
As declarações ampliam o tom de confronto político adotado por Abilio contra setores ligados à esquerda e às universidades públicas durante a campanha presidencial. O evento reuniu apoiadores e lideranças alinhadas ao PL em torno da estratégia de mobilização eleitoral no estado.
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