Agricultura
Arroba do boi fecha junho em alta e mercado tem boa expectativa
Agricultura
O preço da arroba do boi gordo encerrou o mês de junho em alta no Brasil, refletindo a retomada gradual da valorização da pecuária de corte. Dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que o valor médio nacional da arroba foi de R$ 317,75, avanço de 3,32% em relação a maio. Em Mato Grosso, estado com o maior rebanho bovino do país, o valor chegou a R$ 308,51, alta expressiva de 48,78% na comparação com o mesmo período de 2024.
De acordo com o instituto, a recente alta nos preços é resultado da menor oferta de animais prontos para abate no mercado, especialmente no segundo trimestre, quando as pastagens perdem vigor e muitos pecuaristas retardam a venda à espera de melhores condições. Apesar do movimento positivo, o cenário pode ganhar novos contornos nos próximos meses com o aumento da participação de animais terminados em sistema de confinamento.
Uma pesquisa divulgada pelo próprio Imea projeta crescimento de 7% na terminação intensiva em 2025, totalizando cerca de 8,5 milhões de bovinos confinados no país. Esse aumento tende a ampliar a oferta de carne no segundo semestre, o que pode exercer pressão sobre os preços e limitar novos avanços nas cotações da arroba.
Mesmo diante desse possível equilíbrio entre oferta e demanda, o setor segue atento a outros fatores que impactam o mercado, como o ritmo das exportações, o consumo doméstico e os custos de produção. No primeiro semestre, o Brasil manteve desempenho favorável nas vendas externas de carne bovina, contribuindo para sustentar os preços mesmo com um cenário global de incertezas.
Além disso, a redução dos abates de fêmeas em algumas regiões e a expectativa de um segundo semestre mais firme em termos de consumo interno também ajudam a compor um quadro mais otimista para o pecuarista.
Embora o crescimento da produção em confinamento funcione como uma âncora para as cotações, especialistas avaliam que o atual patamar da arroba é compatível com os custos da atividade, especialmente em regiões com maior eficiência produtiva. Ainda assim, o setor continua monitorando os efeitos do clima, a reposição de bezerros e o comportamento do consumidor brasileiro diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador.
QUE É – O Imea é um centro de estudos vinculado ao setor produtivo mato-grossense e atua como referência na produção e análise de dados do agronegócio. As informações levantadas pelo instituto orientam tanto produtores quanto agentes de mercado, sendo fundamentais para o planejamento da atividade agropecuária no estado e no Brasil.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Nova bancada deve priorizar o crédito rural e a previsibilidade para o financiamento
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) projeta ampliar de 299 para 330 o número de integrantes na Câmara dos Deputados na legislatura que começa em 2027. A estimativa, apresentada pelo presidente da frente, deputado Pedro Lupion, representa crescimento de 10,4%. A agenda para o novo mandato terá como prioridades ampliar o acesso ao crédito rural e dar previsibilidade ao financiamento da produção.
A composição reúne experiência nas duas Casas. Dos atuais 299 integrantes da FPA na Câmara dos Deputados, 176 foram reeleitos. Outros 17 deputados conquistaram vagas no Senado. Entre os senadores ligados à frente, seis obtiveram novo mandato e um foi eleito deputado federal. A entidade também informa que 17 senadores estão em meio de mandato.
O total de 200 corresponde aos integrantes da atual frente que obtiveram novos mandatos no Congresso. A composição definitiva da FPA na próxima legislatura dependerá também da adesão de outros parlamentares. O balanço eleitoral, portanto, indica a continuidade de sua atuação, sem estabelecer o número final de participantes.
A expectativa para o novo período legislativo é transformar essas propostas em instrumentos que cheguem às propriedades. O avanço dependerá da construção de acordos no Congresso e da articulação com o Executivo, os agentes financeiros e as organizações de produtores.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), com a ampliação da força política há uma oportunidade de se construir uma agenda de longo prazo para o campo. “A presença de mais parlamentares que conhecem a produção rural pode ajudar a transformar as necessidades das propriedades em soluções concretas. Esperamos um diálogo aberto, com decisões técnicas e atenção aos produtores de todos os portes”.
“Um crédito que chega no momento certo, acompanhado de seguro e de regras estáveis, dá ao produtor condições para investir. Podemos avançar em armazenagem, irrigação e tecnologia quando existe segurança para planejar. Um Plano Safra com horizonte de vários anos pode contribuir para esse ambiente e melhorar a aplicação dos recursos”, diz Isan.
“Também vejo com otimismo a possibilidade de aproximar o Congresso das cooperativas, das entidades e dos profissionais que acompanham o trabalho nas propriedades. Essa troca permite identificar prioridades e construir soluções viáveis. O objetivo comum deve ser ampliar a produtividade, fortalecer a renda no campo e gerar oportunidades nas regiões produtoras”, concluiu o presidente do IA.
Para o produtor, a agenda anunciada concentra-se em condições para financiar a safra e preservar a capacidade de investimento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, apontou a renegociação de dívidas e os obstáculos à contratação de crédito como temas que permanecerão nas negociações com o próximo governo.
Uma das propostas é dar ao Plano Safra um horizonte de vários anos. O planejamento plurianual permitiria sinalizar recursos e prioridades com antecedência, aproximando a política agrícola do tempo necessário para investir em máquinas, armazenagem e irrigação. A mudança ainda depende de discussão e aprovação; não constitui uma regra já definida para 2027.
Essa orientação também integra as propostas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que defende previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural e instrumentos de apoio à saúde financeira do produtor. A entidade propõe ampliar o financiamento privado e melhorar as condições de acesso aos recursos, incluindo garantias e redução da burocracia.
Fonte: Pensar Agro
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