Agricultura

Isenção de imposto de importação pode impactar a produção

Publicado em

Agricultura


A decisão do governo federal de zerar as alíquotas de importação para produtos como carne, café, milho, açúcar e azeite segue gerando reações no setor agropecuário. Federações e associações ligadas à produção agrícola manifestaram preocupação com os impactos da medida sobre a competitividade do produtor rural brasileiro e alertaram para possíveis prejuízos ao setor.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou a iniciativa, afirmando que, em vez de fortalecer a produção nacional, a isenção tarifária pode comprometer a sustentabilidade econômica dos agricultores. A entidade defende que medidas de incentivo à produção interna, como crédito agrícola, seguro rural e investimentos em infraestrutura, seriam mais eficazes para conter a inflação dos alimentos.

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) também se posicionou contra a decisão, questionando o diagnóstico do governo sobre a necessidade de importação de milho. A entidade argumenta que o Brasil é o terceiro maior produtor mundial do grão e o segundo maior exportador, com excedentes de 30 milhões de toneladas. Segundo a Abramilho, os preços praticados internamente são competitivos no mercado global, e a importação do cereal, especialmente do Paraguai, pode prejudicar a cadeia produtiva nacional.

Além disso, a Abramilho alerta para o déficit de armazenagem no país, estimado em 120 milhões de toneladas, o que compromete a estocagem adequada dos grãos. A entidade defende que o governo adote políticas de incentivo à produção e à infraestrutura em vez de medidas que possam desestimular o setor.

O governo federal, por sua vez, justifica a isenção tarifária como uma estratégia para ampliar a oferta de alimentos no mercado interno e conter a alta nos preços. Segundo representantes da administração pública, a iniciativa busca complementar a produção nacional, garantindo equilíbrio no abastecimento.

Fonte: Pensar Agro



COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Agricultura

Agro mira novo recorde de exportações, mas clima e mercados desafiam a renda do produtor

Publicados

em

O agronegócio brasileiro chega ao último trimestre de 2026 com exportações equivalentes a R$ 667 bilhões e espaço para superar o recorde do ano passado. As vendas de janeiro a setembro cresceram 5,5%, segundo balanço divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

A reta final, porém, dependerá das compras dos principais mercados e das condições de embarque, enquanto o produtor começa a preparar 2027 com atenção ao clima, aos custos e ao preço que receberá pela produção.

Para ultrapassar o resultado de 2025, o setor precisa vender ao exterior cerca de R$ 178 bilhões entre outubro e dezembro. Isso corresponde a uma média próxima de R$ 59 bilhões por mês, abaixo dos R$ 74 bilhões mensais alcançados até setembro. O cálculo, feito com os balanços dos dois anos convertidos pela mesma cotação, mostra que ainda há margem para um novo recorde mesmo com uma desaceleração das vendas.

Na carne bovina, um dos pontos de atenção é o acesso à China. As vendas acima da cota definida pelo país enfrentam tarifa adicional de 55%, o que dificulta novos negócios. Em relatório divulgado em 9 de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que os embarques brasileiros aumentem em novembro e dezembro, com exportadores preparando cargas para entrada na cota de 2027. Trata-se de uma expectativa, sujeita à execução dos negócios.

Para o próximo ano, o mesmo relatório projeta queda de aproximadamente 1% no volume das exportações brasileiras de carne bovina. Além das cotas chinesas, o setor enfrenta restrições no mercado europeu. Na produção, o USDA espera redução próxima de 2%, com mais fêmeas mantidas para reprodução e menor oferta de animais para abate. O cenário aumenta a importância de buscar outros compradores e preservar o valor recebido pela carne.

Nos grãos, a perspectiva é de crescimento. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 366,6 milhões de toneladas para a safra 2026/27, alta de 1,4% sobre a temporada anterior. Para a soja, a previsão é de 181,64 milhões de toneladas. No milho, o consumo das fábricas de ração e da indústria de etanol deve ajudar a sustentar a demanda. São projeções que dependem das condições das lavouras ao longo do ciclo.

O clima será decisivo para confirmar essa oferta. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aponta risco de excesso de chuva no Sul e de estiagem em regiões do Norte e Nordeste com o El Niño. Para quem está plantando ou preparando a próxima safra, o efeito aparece no calendário dos trabalhos, na produtividade e nos gastos para conduzir a lavoura.

O financiamento também entra nessa conta. De julho a setembro, a agricultura empresarial contratou R$ 107,1 bilhões, incluindo recursos levantados por Cédulas de Produto Rural (CPRs), segundo o Mapa. Esses títulos responderam por 46,9% do total. Para o produtor, o resultado da safra dependerá de quanto custa financiar a atividade e de como os vencimentos das dívidas se ajustam à entrada do dinheiro das vendas.

Acompanhar o mercado, portanto, exige olhar além do total exportado pelo país. Uma safra maior amplia a quantidade disponível para venda, mas a renda na fazenda será definida pela combinação de produtividade, preços, câmbio, custo dos insumos e transporte.

Na opinião de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o crescimento das exportações mostra que o Brasil tem produção e espaço no mercado internacional.

“Há condições de fechar 2026 com mais um resultado forte. Para o produtor, o objetivo é transformar essa oportunidade em renda, com produtividade, qualidade e cuidado com os custos”, alerta.

“Para 2027, cada propriedade precisa saber quanto vai gastar, quanto precisa produzir para pagar a safra e em que momento terá dinheiro para cumprir seus compromissos. Fertilizantes, sementes, frete e juros entram nessa conta. Planejar a compra dos insumos e a venda da produção ajuda a evitar decisões tomadas sob pressão”, recomenda.

“Precisamos ampliar os mercados para que uma dificuldade em um grande comprador não comprometa toda a cadeia. Dentro da fazenda, acompanhar o clima, buscar orientação técnica e avaliar a proteção da produção serão cuidados importantes. O Brasil tem condições de crescer, e esse crescimento precisa chegar ao caixa de quem produz”, concluir Rezende.

Fonte: Pensar Agro

;

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA